Irã acusa Israel de usar bruxaria e espíritos em guerra e espionagem

Abdollah Ganji, antigo diretor do jornal iraniano Javan — vinculado à Guarda Revolucionária Islâmica — e atualmente conselheiro do prefeito de Teerã, fez recentemente declarações polêmicas, alegando que Israel estaria a recorrer a práticas de bruxaria e forças sobrenaturais em conflitos recentes. Segundo ele, a presença de “talismãs com símbolos judaicos” encontrados nas ruas da capital iraniana após confrontos militares indicaria o uso de “espíritos ocultos” por parte de Israel.

Em uma publicação feita nesta quinta-feira na rede social X (antigo Twitter), Ganji afirmou que os objetos encontrados continham inscrições esotéricas, o que, segundo sua interpretação, reforça uma antiga acusação do líder supremo Ali Khamenei. Em 2020, Khamenei sugeriu que potências ocidentais e israelenses estariam a empregar “ciências ocultas e jinn” — entidades mencionadas no Alcorão — para fins de espionagem.

Na tradição islâmica, jinn são criaturas feitas de fogo invisível, com a capacidade de se transformar, manipular pensamentos e atuar secretamente. Autoridades religiosas do Irã já insinuaram anteriormente que Israel teria domínio sobre esses seres, usando-os como ferramenta de guerra e inteligência.

As declarações de Ganji, contudo, não passaram despercebidas e rapidamente se tornaram alvo de críticas e piadas nas redes sociais. O ex-porta-voz do governo iraniano, Abdollah Ramezanzadeh, condenou a teoria, sugerindo que ela é usada para desviar a atenção das falhas reais na segurança nacional e na infiltração de agentes inimigos.

A controvérsia ganhou ainda mais força após a circulação de imagens de satélite mostrando supostos símbolos místicos — como triângulos e estrelas de Davi — desenhados no deserto, nas proximidades de uma base de mísseis iraniana. Embora a origem dos desenhos seja incerta, autoridades agiram rapidamente para removê-los.

Em meio às tensões, uma conta nas redes que afirma representar o Mossad, serviço secreto de Israel, ironizou as declarações, afirmando: “Consumir entorpecentes e falar com jinn não é o perfil ideal para liderar um país”.

Por fim, o diplomata israelense Waleed Gadban também se manifestou, compartilhando uma das imagens do deserto com uma provocação simbólica: “Estamos mais perto de você do que sua veia jugular.”

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