Maputo, 27 de Julho de 2025 – O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que a introdução de tractores adaptados representa uma resposta prática aos obstáculos de mobilidade em regiões rurais de Moçambique, onde, mesmo com verbas disponíveis, a construção de estradas é inviável devido às condições naturais do terreno.
Durante uma conferência de imprensa realizada no final da sua visita de trabalho à província da Zambézia, Chapo explicou que esta medida não substitui os projectos de construção de vias de acesso, mas surge como uma solução adequada a contextos específicos onde o solo dificulta qualquer outro tipo de transporte.
“Não se trata de haver ou não estrada. O verdadeiro problema está nas características do terreno que dá acesso a determinadas comunidades”, explicou o Presidente.
Segundo Chapo, os tractores estão destinados a localidades com solos alagadiços ou áreas montanhosas onde até veículos 4×4 não conseguem circular. Em distritos como Guruè e Mocuba, os moradores demonstraram grande aceitação da iniciativa, considerando os tractores como a melhor opção para transportar os seus produtos agrícolas.
“Temos zonas com muito matope e áreas montanhosas onde o acesso é extremamente difícil”, relatou o Presidente, citando o testemunho da população local.
Chapo alertou ainda que a inacessibilidade de certas comunidades prejudica serviços essenciais, como a entrega de medicamentos e exames escolares. “Há locais onde nem mesmo viaturas robustas como uma Land Cruiser conseguem chegar para entregar provas escolares no final do ano”, lamentou.
Diante disso, os tractores foram apontados como a única alternativa viável para assegurar o transporte de pessoas e bens em regiões isoladas. O Chefe do Estado frisou que esses meios de transporte não se destinam a ambientes urbanos ou asfaltados, mas exclusivamente às zonas rurais mais difíceis.
“A dificuldade de escoamento da produção afecta directamente a segurança alimentar. Há comunidades com excesso de colheita, enquanto outras passam fome”, acrescentou.
Entre os produtos que enfrentam mais dificuldades logísticas na Zambézia, o Presidente destacou o arroz, o feijão bóer, o gergelim, a mandioca e a cana-de-açúcar. “Neste momento, os camponeses dessas áreas lutam para conseguir transportar os seus produtos”, reconheceu.
Chapo reiterou que o Governo continuará a expandir a rede de estradas sempre que tecnicamente possível, mas reforçou que a prioridade dos tractores são mesmo as áreas rurais mais inacessíveis. “A necessidade é enorme, mas volto a dizer: é uma solução pensada para as zonas rurais, não para as cidades”, concluiu.
