Moçambique entre os países-alvo dos 200 mil milhões da Fundação Gates

A Fundação Bill e Melinda Gates reafirmou o seu compromisso de investir cerca de 200 mil milhões de dólares ao longo dos próximos 20 anos, com foco na redução da pobreza, da mortalidade infantil e no combate às doenças que ainda assolam países africanos.

O anúncio foi feito por Keith Klugman, diretor de Pneumonia e Preparação para Pandemias da fundação, durante uma entrevista concedida à AIM, à margem do Fórum Global sobre Inovação e Ação para Imunização e Sobrevivência Infantil 2025, evento que decorre esta semana em Maputo e reúne especialistas, decisores políticos e parceiros internacionais do sector da saúde.

“Trata-se de um compromisso assumido por Bill Gates, que será integralmente cumprido. A fundação está pronta para aplicar esta fortuna no reforço da saúde infantil e na redução das desigualdades”, destacou Klugman.

Segundo o responsável, a maior fatia do investimento será canalizada para serviços de cuidados primários de saúde e intervenções voltadas ao bem-estar das crianças em países africanos considerados prioritários. O plano prevê o gasto anual de entre nove e dez mil milhões de dólares, com metas ambiciosas como eliminar mortes infantis evitáveis e erradicar doenças como poliomielite, malária e tuberculose até 2045.

Klugman apontou que cerca de 4,8 milhões de crianças morrem todos os anos antes dos cinco anos por causas que poderiam ser prevenidas, e que a fundação aposta em vacinas, melhoria dos sistemas de saúde e acesso a medidas preventivas como forma de inverter esse cenário.

Ele revelou ainda que mais de 128 milhões de dólares já foram destinados ao desenvolvimento de vacinas contra o Estreptococo do Grupo B (GBS) e o Vírus Sincicial Respiratório (RSV) – dois agentes que lideram as causas de morte neonatal no continente africano. Um novo ensaio clínico para a vacina contra o GBS deverá iniciar em breve, com o objetivo de eliminar infecções neonatais graves nas próximas duas décadas.

Grande parte dos 200 mil milhões será aplicada em parceria com os governos africanos, especialmente naqueles que demonstram compromisso com a saúde pública. Moçambique figura entre os principais beneficiários dessa estratégia, de acordo com Magdalena Roberts, diretora-adjunta da área de Pólio e Vacinas da fundação.

Roberts afirmou que Moçambique enfrenta obstáculos estruturais significativos no setor da saúde e que a fundação está determinada a apoiar ações que fortaleçam o sistema nacional de vacinação, principalmente na imunização infantil e no combate à poliomielite.

Além disso, a fundação confirmou a renovação do seu apoio à Gavi – Aliança para Vacinas, com uma contribuição de 1,6 mil milhões de dólares até 2030, reforçando o seu papel no financiamento da saúde global, apesar dos recentes cortes na ajuda internacional.

A estratégia da Fundação Gates prevê que, progressivamente, os governos nacionais assumam a responsabilidade de financiar os seus próprios programas de vacinação, com apoio técnico e financeiro enquanto a transição não se torna sustentável.

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