O ministro da Defesa de Moçambique, Cristóvão Chume, admitiu que o perímetro de segurança estabelecido pelas Forças de Defesa e Segurança, em parceria com o Ruanda, falhou em impedir os ataques terroristas recentes. Essa falha permitiu que os insurgentes, que partiram do distrito de Macomia, realizassem investidas nos distritos de Chiúre e Ancuabe.
“Como puderam perceber, eles acessaram Ancuabe e Chiúre, destruindo habitações, bens da população e causando mortes. Esta situação não pode deixar as forças de defesa e segurança satisfeitas”, afirmou o ministro na última quinta-feira, 31 de julho.
Aumento no Número de Deslocados
Embora não tenha revelado o número exato de mortos, Chume informou que as tropas estão atuando no terreno para conter novos ataques e evitar o aumento do número de deslocados. Ele estimou que entre 11 a 12 mil pessoas foram deslocadas após os ataques em Ancuabe e Chiúre-Velho. A partir de quinta-feira, esses deslocados serão acomodados em dois centros de acolhimento na sede do distrito de Chiúre.
Crise Humanitária Agrava-se
Além dos problemas de segurança, a região enfrenta uma grave crise humanitária. O Instituto de Psicologia Paz de Moçambique alertou para a necessidade urgente de mais recursos financeiros e técnicos para apoiar as vítimas da violência. Segundo um relatório divulgado pela agência Lusa, os centros de transição estão superlotados, elevando o risco de surtos de cólera devido à falta de condições sanitárias e água potável. O documento também alertou para o perigo de exploração sexual entre os deslocados.
