Jovem de Nampula retira implante em casa para agradar parceiro estrangeiro e sofre ferimentos

Nampula – Uma jovem de 22 anos, identificada com o nome fictício de Atia José, residente na área do Condomínio Mercado, na unidade comunal de Mutava Rex, tomou a decisão de remover, por conta própria, um implante contraceptivo subcutâneo, resultando em ferimentos graves que ainda não cicatrizaram.

Segundo a jovem, a motivação para a remoção foi a vontade de agradar o parceiro estrangeiro com quem mantém um relacionamento recente, mas que já prometeu casamento. “Não foi fácil conquistá-lo, muitas o queriam. Entre todas, ele me escolheu, então eu quis mostrar que estou disposta a tudo por ele”, relatou Atia.

Ela acredita que o casamento representa uma oportunidade de mudar de vida, principalmente por estar a criar sozinha uma filha de cinco anos. “Nunca vivi com um homem. Casar seria sair das dificuldades. Eu o amo e vou fazer de tudo para ficar com ele.”

Após ter o pedido de retirada do implante recusado numa unidade sanitária, Atia decidiu agir por conta própria. “Amarrei meu braço com uma corda e cortei com uma lâmina a parte onde estava o implante. Doeu muito, mas está a sarar,” contou, revelando o risco do procedimento feito em casa.

A atitude da jovem gerou debate entre outras mulheres da comunidade. Rita Joaquim António, mãe de dois filhos, reconhece os efeitos colaterais dos métodos contraceptivos, mas condena a atitude de Atia. “Ela poderia ter morrido. Não agiu bem, mas pronto, agora já está feito.”

Outra moradora alertou para os perigos do procedimento, afirmando que ações como essa colocam a saúde da mulher em sério risco: “Ela pode até desenvolver outras doenças por causa disso.”

A enfermeira de Saúde Materno Infantil, Fátima Cássimo, do centro de saúde 25 de Setembro, classificou a situação como rara e lamentou o comportamento das profissionais que recusaram a retirada do implante. “Se uma mulher quer tirar o método antes do prazo, nós devemos respeitar a sua decisão. Temos procedimentos específicos e material adequado para isso, sem causar dor e riscos”, explicou a técnica com mais de 10 anos de experiência.

Fátima sublinhou que a decisão das enfermeiras de negar o serviço pode ter sido motivada por má fé, contrariando os princípios do atendimento humanizado. “O aconselhamento é importante, mas nunca podemos impedir a remoção, especialmente se for desejo da paciente.”

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