Dinis Tivane lançou uma análise contundente sobre a situação política de Moçambique, comparando a FRELIMO a impérios históricos como o Egito e Roma, e questionando por que essas civilizações, embora grandiosas, acabaram por cair.
Segundo Tivane, a queda de Estados autoritários do passado teve duas grandes causas. A primeira é a negligência em relação ao povo. Reis e imperadores concentravam-se em riqueza, luxo e poder, acreditando que poderiam ignorar as necessidades da população sem consequências. A segunda é a própria natureza dos regimes absolutistas ou autocráticos, que concentram o poder em uma única pessoa ou partido. “É impossível que uma única cabeça consiga atender às preocupações de toda uma multidão e gerar soluções eficazes. A injustiça acumulada acaba gerando revoltas e revoluções. O povo grita: basta!”, afirmou Tivane.
Para ele, a democracia não é uma invenção europeia, mas uma conquista da humanidade. Centralizar o poder em poucas mãos leva à ineficiência; já a fragmentação do poder entre diferentes pessoas ou grupos permite que o Estado sirva melhor a população, oferecendo saúde, educação, transporte, segurança, tribunais justos e combate à corrupção.
Tivane defende que Venâncio Mondlane irá implementar em Moçambique uma verdadeira separação de poderes, com a descentralização do poder até aos níveis distrital e comunitário. Ele aponta que modelos semelhantes foram fundamentais para o desenvolvimento de países como África do Sul, Brasil, China e nações europeias, onde autoridades independentes atuam em todas as esferas da sociedade.
