Metuge, Cabo Delgado – Três camponeses foram assassinados de forma brutal por insurgentes armados na localidade de Nampipi, distrito de Metuge, província de Cabo Delgado, quando trabalhavam nos seus campos agrícolas. O ataque, ocorrido na sexta-feira (15), juntou-se à onda de violência que assola a região desde 2017.
De acordo com testemunhas, os rebeldes surpreenderam um grupo de dez camponeses durante o dia, enquanto estes colhiam cereais e cortavam bambus. Sete pessoas conseguiram escapar, mas três foram capturadas e decapitadas. Os corpos foram enterrados este sábado numa cerimónia acompanhada pelas Forças de Defesa e Segurança.
“Uma das vítimas foi atacada na sua própria machamba, enquanto as outras foram mortas quando cortavam bambus”, relatou um residente que conseguiu escapar. Outra fonte contou que um familiar seu sobreviveu, mas abandonou tudo e agora tenta recomeçar a vida noutra área mais segura.
Desde outubro de 2017, Cabo Delgado, rica em recursos de gás natural, tem sido palco de ataques sistemáticos de grupos armados ligados ao autoproclamado Estado Islâmico. Os ataques têm provocado milhares de mortes e deslocamentos forçados em massa.
Nos últimos meses, a violência intensificou-se, sobretudo no distrito vizinho de Chiúre. Só entre 20 de julho e 3 de agosto, mais de 57 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas em distritos como Muidumbe, Ancuabe e Chiúre, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, reconheceu no final de julho a gravidade da situação, admitindo que os insurgentes conseguiram penetrar em áreas mais afastadas das zonas sob maior vigilância.
Em 2024, pelo menos 349 pessoas perderam a vida em ataques extremistas no norte de Moçambique, o que representa um aumento de 36% em comparação com o ano anterior, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS).
A nova vaga de ataques levanta receios de um reforço da propaganda extremista, que procura consolidar apoios em comunidades vulneráveis, enquanto milhares de deslocados continuam a procurar refúgio em áreas mais seguras.
