Moçambique suspende 11 empresas mineiras em Manica por poluição ambiental

O Governo moçambicano suspendeu as atividades de 11 empresas de exploração mineira no distrito de Manica, centro do país, devido ao uso de métodos considerados nocivos ao ambiente, que têm provocado a contaminação dos rios locais, em especial o Révuè.

De acordo com o Inspetor Nacional de Minas, Grácio Cune, a medida resulta de fiscalizações recentes que identificaram várias firmas a operar em desacordo com as normas de proteção ambiental. Parte dessas companhias já havia sido advertida anteriormente, mas reincidiram nas práticas ilegais.

Empresas reincidentes e impacto ambiental

Nos últimos dias, seis novas empresas foram suspensas, somando-se a outras cinco já paralisadas no início do ano. As inspeções revelaram que a poluição causada pelas mineradoras continua a afetar gravemente a qualidade da água, com reflexos na albufeira de Chicamba, onde a água apresenta elevada turbidez.

“Estamos diante de uma situação que coloca em risco a saúde pública. A água que chega à barragem está quase lamacenta, o que representa um perigo para milhares de pessoas que dela dependem”, alertou Cune.

Fiscalização contínua

Segundo o inspetor, as ações de monitoria irão prosseguir ao longo do rio Révuè e em outras bacias hidrográficas da província, como o Púnguè, em Vanduzi, e o Lucite, em Sussundenga, igualmente afetados pela atividade mineira.

O objetivo, disse Cune, é obrigar as empresas a adotar práticas sustentáveis e consciencializar os exploradores para uma mineração responsável. “A nossa prioridade é que a água volte ao seu estado normal nos próximos dias, em benefício das comunidades”, afirmou.

Potencial mineiro e desafios

A província de Manica é uma das regiões mais ricas em recursos minerais de Moçambique, com destaque para o ouro. A exploração ocorre não apenas em Manica, mas também em Báruè, Macossa, Gondola e Macate, envolvendo cerca de 10 mil operadores, entre industriais e artesanais.

Grande parte da atividade artesanal, popularmente conhecida como garimpo ilegal, é realizada por jovens moçambicanos e estrangeiros, que veem na mineração a principal fonte de rendimento, apesar dos riscos ambientais e sociais.

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