Nampula – A Polícia da República de Moçambique (PRM) é apontada pela organização de defesa dos direitos humanos Koshukuro como responsável por ter baleado um jovem nos dois membros inferiores, durante a madrugada de sexta-feira, 15 de agosto, quando este se deslocava para uma terminal rodoviária, na cidade de Nampula.
O incidente ocorreu na área de jurisdição da 4ª Esquadra, envolvendo agentes destacados naquela unidade policial. Segundo a denúncia, após o disparo os envolvidos não deixaram qualquer rastro que pudesse facilitar a sua responsabilização, sendo alegadamente protegidos pelas próprias estruturas internas.
Enquanto a família exige justiça, a versão oficial da PRM, transmitida pela porta-voz provincial, Rosa Nilsa Chaúque, aponta para um cenário de desobediência. A corporação afirma que a vítima, que seguia numa motorizada, não acatou a ordem de paragem, o que levantou suspeitas sobre as suas intenções, levando os agentes a dispararem.
“Os disparos foram efetuados porque os moto-taxistas ignoraram a ordem de paragem. Isso gerou suspeitas, e a polícia tentou forçar a imobilização para prosseguir com os trabalhos de triagem. Infelizmente, um dos disparos acabou atingindo um dos jovens, sem que os agentes se apercebessem de imediato”, explicou Chaúque.
De acordo com a porta-voz, a PRM tomou conhecimento do caso apenas quando a vítima procurou atendimento num posto de saúde. Chaúque garantiu que está em curso uma investigação para apurar responsabilidades criminais e disciplinares dos agentes envolvidos, além de manter diálogo direto com os familiares.
“Destacámos uma equipa para investigar as reais circunstâncias do ocorrido. Estamos em contacto com a família para prestar apoio, e caso se confirme negligência por parte dos nossos membros, estes serão responsabilizados criminal e disciplinarmente”, assegurou.
Chaúque reforçou ainda que a missão da polícia é garantir ordem e segurança públicas, rejeitando práticas que coloquem em risco a vida dos cidadãos.
