O Ministério do Interior anunciou a suspensão de 20 agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) destacados no posto de controlo de Incoluane, na província de Gaza, na sequência de dois acidentes rodoviários que provocaram 35 mortos no início da semana.
De acordo com as autoridades, a medida deve-se à falha dos agentes em identificar irregularidades graves, consideradas determinantes para a ocorrência das tragédias.
Dois acidentes mortais em poucas horas
O primeiro sinistro ocorreu no distrito da Manhiça, nas imediações da aldeia 3 de Fevereiro, quando um mini-autocarro que transportava 27 passageiros — quase o dobro da capacidade legal de 15 — saiu da estrada e caiu num rio, causando a morte de 24 pessoas.
Horas mais tarde, em Maciene, distrito de Chongoene, outro mini-autocarro colidiu com um camião, resultando em 11 óbitos.
Irregularidades e suspeitas de corrupção
As investigações preliminares apontam que ambos os veículos circulavam antes do horário permitido para transporte de passageiros (5h00). Um deles chegou a atravessar o posto de Incoluane por volta das 4h45, sem ser impedido pela polícia.
Além disso, foi verificado que nenhum dos motoristas possuía habilitação adequada para conduzir viaturas de transporte coletivo.
Durante a visita ao local, o Secretário de Estado dos Transportes e Logística, Chinguane Mabote, recebeu denúncias de que agentes policiais permitem frequentemente a passagem de veículos em más condições mecânicas — pneus gastos, faróis avariados e excesso de lotação — em troca de propinas. Teria sido ainda referido que viaturas de indivíduos influentes, ligados ao partido Frelimo, recebem tratamento privilegiado nos postos de controlo.
Governo promete rigor
Mabote exigiu o fim imediato dessas práticas, sublinhando que a fiscalização deve ser feita de forma uniforme, sem exceções.
A suspensão dos 20 agentes é vista como um primeiro passo do governo para restaurar a confiança, mas também levanta debates sobre a corrupção sistémica e a fragilidade da fiscalização rodoviária em Moçambique, fatores apontados como causas recorrentes da insegurança nas estradas.
