Palma, Cabo Delgado – Moradores do distrito de Palma voltaram a manifestar insatisfação em relação à presença da TotalEnergies na península de Afungi, exigindo a saída da multinacional francesa e pedindo um encontro direto com o Presidente da República. A decisão do Chefe de Estado de retomar, em setembro, as operações do projeto Mozambique LNG tem gerado apreensão e descontentamento entre a população local.
De acordo com residentes, a empresa não honrou compromissos assumidos anteriormente, incluindo compensações financeiras e a criação de oportunidades de emprego. Jovens do distrito denunciam exclusão: “Desde 2015, Palma vive à margem. Não temos empregos e estamos fora das oportunidades ligadas ao gás”, lamentou um dos entrevistados.
Empresários locais também reportam perdas significativas. Muitos investiram em estabelecimentos de restauração, alojamento e transporte com expectativa de crescimento, mas agora enfrentam queda brusca de rendimentos. Um moto-taxista descreveu o cenário: “Se conseguimos 100 meticais num dia, é um milagre. Palma está a definhar”.
Outro ponto crítico levantado pelos residentes é o isolamento da zona de Afungi, onde o acesso se tornou restrito e sujeito a autorizações, sob forte presença militar nacional e estrangeira. Para muitos, a península já não se assemelha a território moçambicano.
Diante das queixas, os habitantes de Palma pedem ao governo que pressione a TotalEnergies a garantir maior inclusão das comunidades na exploração do gás natural, sob risco de agravamento da crise social e económica no distrito.
Até ao momento, nem a multinacional nem as autoridades distritais se pronunciaram sobre os apelos da população.
