A Indonésia enfrenta uma onda de protestos e crescente instabilidade social após a aprovação, pelo parlamento, de subsídios de 3 mil dólares para habitação destinados a deputados. A medida foi duramente criticada pela população, por contrastar com o salário mínimo nacional, que não ultrapassa os 200 dólares por mês.
A situação agravou-se quando o deputado Ahmad Sahroni insultou os opositores da medida, chamando-os de “as pessoas mais estúpidas do mundo”. A declaração ganhou ampla repercussão nas redes sociais e serviu de catalisador para manifestações em várias cidades.
Protestos transformam-se em violência
O que começou como atos pacíficos rapidamente descambou em confrontos. Grupos de manifestantes invadiram casas de políticos, destruindo e saqueando carros de luxo e bens de alto valor.
Durante a repressão policial, um jovem motorista morreu após ser atropelado por um blindado, episódio que intensificou ainda mais a revolta popular. Segundo fontes locais, cinco pessoas perderam a vida nos confrontos.
Governo recua
A gravidade da crise obrigou o presidente Prabowo Subianto a cancelar uma visita oficial à China para acompanhar a situação de perto. Diante da pressão popular, o parlamento anunciou a revogação imediata dos subsídios.
No entanto, a credibilidade da instituição sofreu novo abalo após a circulação de vídeos mostrando cinco deputados a dançar em sessões parlamentares, em pleno clima de tensão. Todos foram suspensos das suas funções.
Desconfiança crescente
Os acontecimentos revelam o fosso entre a classe política e a sociedade indonésia, alimentando um clima de desconfiança que ameaça prolongar a instabilidade nos próximos dias.
