Mais de 170 alfabetizadores do distrito de Nampula afirmam estar há pelo menos três anos sem receber salários. Os educadores acusam a Direção Provincial de Educação de prometer repetidamente o pagamento dos valores em atraso, mas sem nunca cumprir.
Promessas não cumpridas
Segundo os queixosos, em 2024 chegou a circular uma lista com os nomes de alfabetizadores marcados com a indicação “ok”, como se os pagamentos já tivessem sido feitos. No entanto, ao verificarem as contas bancárias, nada havia sido depositado. Em alguns casos, os valores em dívida chegam a 50 mil meticais por alfabetizador.
Apesar disso, os profissionais continuam a ser pressionados a ministrar as aulas de alfabetização. Em julho de 2025, alguns deles entraram em confronto aberto com a direção, denunciando a situação. A instituição, por sua vez, assegurou aos jornalistas que o problema estava “resolvido” e que o pagamento seria efetuado. Porém, até setembro de 2025, nenhum valor havia sido transferido.
Pelo contrário: os alfabetizadores revelam que as contas bancárias abertas sob orientação da própria direção apenas acumulam anuidades e taxas, sem nunca terem registado qualquer salário.
Consequências sociais graves
A falta de rendimento tem trazido sérias consequências. Há relatos de educadores que foram abandonados pelas esposas por não conseguirem sustentar a família. Outros, como Ussene Maurício, enfrentam dificuldades extras, como despesas médicas elevadas relacionadas à cirurgia da esposa.
“Somos tratados como se não existíssemos. Trabalhamos para alfabetizar, mas vivemos na mentira e na fome”, desabafou um dos alfabetizadores.
Falta de resposta oficial
Até o momento, a Direção Provincial de Educação de Nampula não apresentou uma solução definitiva para o caso. Enquanto isso, os alfabetizadores denunciam que estão a decorrer novas inscrições de professores, mesmo sem que as dívidas antigas tenham sido liquidadas.
