ANAPRO Condena Nomeação de Carmelita Namashulua a Inspectora-Geral: “É o Regresso de um Fantasma”

A nomeação da antiga ministra da Educação, Carmelita Namashulua, para o recém-criado cargo de Inspectora-Geral do Estado está a gerar uma onda de forte contestação. A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO), através do seu vice-presidente, Marcos Mulima, veio a público repudiar a decisão, classificando-a como um claro sinal de que falta compromisso com o desenvolvimento de Moçambique.

Um “Golpe Psicológico” Para os Professores

​Para a classe docente, a escolha do Presidente Daniel Chapo representou um autêntico “golpe psicológico”. Marcos Mulima não poupou nas palavras e recorreu a uma metáfora pesada para descrever o cenário: segundo o dirigente, em vez de governar a pensar nos moçambicanos, o Chefe de Estado optou por “ressuscitar um fantasma para assombrar os vivos”.

​O vice-presidente da ANAPRO sublinhou que a figura de Namashulua não é bem-vinda aos olhos de “qualquer cidadão de bem”. Na sua óptica, esta movimentação política demonstra que o Governo actua para alimentar “interesses ocultos”, virando as costas aos reais interesses da população.

Banalização do Estado e Protecção Partidária

​As críticas da associação estenderam-se à própria natureza do novo órgão de fiscalização estatal. Marcos Mulima alertou que esta nova entidade corre o risco de se tornar apenas em mais um “fantasma”, inútil para o país, mas útil para criar espaços de desvio de fundos do erário público e para “acomodar indivíduos inoperantes que são protegidos pela Frelimo”.

​O sindicalista considerou ainda que a nomeação da ex-ministra para liderar uma instituição cuja função vital deveria ser garantir o rigor e a fiscalização dos sectores do Estado constitui uma grave “banalização da estrutura governativa”.

Onde Estão os “Cérebros” do País?

​A terminar a sua intervenção, a ANAPRO questionou os critérios de selecção do Executivo. Marcos Mulima manifestou perplexidade sobre como Carmelita Namashulua pode ser vista como uma “opção válida” para o actual contexto nacional, que exige profissionais com um perfil técnico ajustado para apresentar soluções efectivas.

​O dirigente questionou directamente as opções do Presidente da República, lamentando que num país “repleto de cérebros” capazes — quer militantes do partido no poder, quer cidadãos sem filiação partidária — não se tenha recorrido a novos quadros que pudessem efectivamente ajudar a máquina governativa a trazer as mudanças de que Moçambique necessita.

Fonte Original: Canal de Moz / Canalmoz

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