Times de Todos – Em tempos de alta competitividade e desemprego, uma fatia crescente da juventude africana parece ter encontrado um novo caminho para o sucesso: o Negócio dos Preguiçosos. Este termo, usado por sociólogos e analistas, descreve a escolha por atividades que oferecem retornos rápidos e fama imediata, sem a exigência de formação rigorosa ou esforço intelectual contínuo.
Os dois pilares deste novo “negócio” são a fuga para o púlpito e a exposição do corpo nas redes sociais, fenómenos que refletem uma profunda crise de valores e a preferência pela “preguiça mental” em detrimento do trabalho duro e inovador.
1. O Púlpito como ‘Plano B’
Nas cidades africanas, há uma proliferação notável de jovens que, sem grande preparo teológico, se tornam pastores e fundadores de igrejas neopentecostais.
O Raciocínio: O desemprego é alto. Abrir um negócio tradicional exige capital, estudo e risco. Tornar-se um pregador carismático, que promete prosperidade e curas milagrosas, oferece uma rota mais rápida para a liderança, o poder social e a riqueza (através de ofertas e dízimos), exigindo menos do que o rigor de um diploma universitário ou o desenvolvimento de uma startup.
Análise: Críticos veem nisto um “refúgio espiritual” que explora a fé popular. O púlpito transforma-se num atalho onde a crença cega substitui o esforço de pensar criticamente e de construir um futuro sustentável.
2. A Moeda da Nudez no Ecrã
Do lado secular, assistimos à ascensão das jovens Influencers (ou simplesmente figuras das redes sociais) que utilizam a exposição explícita do corpo (nudez ou semi-nudez) nas plataformas digitais.
O Raciocínio: O desenvolvimento de uma carreira profissional é lento. Tornar-se viral através de conteúdo chocante ou sexualmente explícito é instantâneo. Em pouco tempo, a jovem pode acumular seguidores e atrair a atenção de patrocinadores ou benfeitores, transformando a sua imagem numa fonte de lucro imediato.
Análise: Esta é a face digital da mesma “preguiça mental”. Em vez de investir na educação, na escrita ou na criação de valor intelectual (que exigem anos de dedicação), a jovem escolhe o caminho mais rápido e menos exigente, explorando a curiosidade e a procura por conteúdo visualmente apelativo. A validação (os ‘likes’) torna-se o novo salário.
Crise de Longo Prazo
Para os analistas sociais, o “Negócio dos Preguiçosos” não é apenas uma questão moral, mas um sério entrave ao desenvolvimento africano.
“Quando a nossa juventude, que deveria ser a força motriz da inovação, escolhe massivamente o caminho do ganho fácil, estamos a hipotecar o nosso futuro,” alerta um professor de sociologia.
O continente precisa de engenheiros, programadores, agricultores inovadores e empreendedores que resolvam problemas complexos. A prioridade da gratificação imediata — seja na forma de dízimos rápidos ou de seguidores nas redes — está a desviar talentos e energias do desenvolvimento de um verdadeiro Capital Humano produtivo e duradouro.
