O país, que até então era considerado um dos poucos lugares do mundo livre de mosquitos, confirma o aparecimento dos primeiros exemplares devido ao aumento das temperaturas.
A Islândia acaba de perder um dos seus títulos mais curiosos: o de ser um dos únicos países do mundo sem mosquitos. Pesquisadores islandeses confirmaram a presença dos primeiros mosquitos no território, um acontecimento inédito que está a ser amplamente associado ao aquecimento global.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, os insetos foram identificados na capital, Reiquiavique, e em outras regiões do país. Especialistas acreditam que as temperaturas mais elevadas e a redução dos períodos de frio intenso criaram condições ideais para que os mosquitos sobrevivessem e se reproduzissem — algo antes impossível devido ao rigoroso clima islandês.
O Washington Post e o ABC News relatam que o fenómeno está diretamente ligado ao aumento médio das temperaturas no Atlântico Norte, uma tendência observada nos últimos anos. A espécie identificada, Culiseta annulata, já é comum em países vizinhos como o Reino Unido e a Noruega, mas nunca havia conseguido estabelecer-se na Islândia até agora.
“Os invernos estão mais curtos e menos severos. Isso permite que ovos e larvas resistam e completem o ciclo de vida”, explicou o biólogo islandês Gisli Már Gíslason, em declarações ao Yale Environment 360. O especialista alerta que o aparecimento dos mosquitos é um forte sinal das transformações climáticas em curso no país.
Antes deste evento, apenas a Islândia e algumas regiões da Antártida permaneciam oficialmente livres dos insetos. Com a nova descoberta, a Islândia junta-se à longa lista de países afetados por pragas que podem trazer riscos à saúde e à agricultura.
A notícia gerou grande repercussão entre cientistas e ambientalistas. De acordo com o portal IFLScience, este é mais um indicativo de que “nenhum ecossistema está totalmente imune aos efeitos do aquecimento global”.
Enquanto o governo islandês ainda avalia possíveis medidas de controlo, a comunidade científica alerta para o aumento do número de espécies invasoras que poderão chegar ao país nos próximos anos — um desafio inédito para a biodiversidade local.
