Governo de Gaza aperta o cerco e ameaça expulsar profissionais de saúde em greve

​O braço de ferro entre o Executivo e os profissionais de saúde ganhou novos contornos na província de Gaza. Os funcionários que aderiram à greve nacional, iniciada a 16 de janeiro, denunciam uma campanha de intimidação e pressão psicológica movida pela Direção Provincial de Saúde para forçar o abandono da paralisação.

As Instruções de Mulassua Simango

​A diretora provincial de Saúde de Gaza, Mulassua Simango, terá emitido orientações rígidas via WhatsApp. As medidas incluem:

  • Sanções Administrativas: Marcação de faltas a todos os grevistas, inclusive os que apoiam nos postos alternativos devido às cheias.
  • Redistribuição Forçada: Uma ordem para o levantamento de funcionários que vivem fora das zonas de trabalho, com o objetivo de os realocar para outras unidades sob controlo rigoroso de efetividade.

​Para a APSUSM (Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique), estas ações são manobras ilegais para desmantelar a greve.

A Resposta das Autoridades: “É apenas a Lei”

​Em declarações ao jornal Dossiers & Factos, Mulassua Simango negou a prática de ameaças. A diretora defendeu que a marcação de faltas não é uma retaliação, mas o cumprimento estrito do Estatuto do Funcionário e Agente do Estado, que prevê que a ausência física resulte em falta administrativa. No entanto, a diretora escusou-se a detalhar o impacto da greve na assistência às vítimas das cheias, interrompendo o contacto telefónico.

Queixas às Procuradorias e Tensão nas Províncias

​O presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, revelou que o sindicato já avançou com queixas-crime nas Procuradorias distritais e provinciais.

  • Focos Críticos: Além de Gaza, as províncias de Inhambane e Nampula são citadas como locais de forte coerção.
  • Uso da Força: Em Inhambane, há relatos de administradores distritais que terão solicitado a intervenção da UIR (Unidade de Intervenção Rápida) para dispersar reuniões de grevistas.

​Muchave sublinhou a gravidade da situação citando o caso recente em Chibuto, onde um membro do Governo terá falecido num hospital local por falta de oxigénio, evidenciando o colapso do sistema que os profissionais agora tentam reformar.

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