Adolescentes executados na Coreia do Norte por assistirem a “Squid Game”, denuncia Amnistia Internacional

Relatório Denuncia Execuções de Adolescentes na Coreia do Norte por Consumo de Conteúdos Estrangeiros

A Amnistia Internacional denunciou esta semana graves violações de direitos humanos na Coreia do Norte, incluindo a execução pública de adolescentes acusados de assistir e partilhar conteúdos culturais estrangeiros, como a série sul-coreana de sucesso mundial Squid Game.

As revelações constam de um relatório baseado em 25 entrevistas com cidadãos que conseguiram fugir do país. Os testemunhos descrevem um ambiente de repressão extrema, no qual o regime pune severamente qualquer contacto com produções culturais externas, sobretudo provenientes da Coreia do Sul.

Um dos relatos mais perturbadores refere-se à execução pública de dois adolescentes, alegadamente mortos por terem visto e distribuído a série Squid Game entre colegas. O caso terá ocorrido na província de Ryanggang, região próxima da fronteira com a China, embora a data exata do episódio não tenha sido possível confirmar.

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos, assistir a dramas sul-coreanos, conhecidos como K-dramas, ou ouvir música K-pop pode resultar em punições que variam entre humilhação pública, trabalhos forçados e, em casos considerados graves, a pena de morte. Artistas mundialmente conhecidos, como o grupo BTS, estão entre os conteúdos proibidos pelo regime.

Relatórios anteriores da imprensa sul-coreana já haviam apontado para condenações de jovens estudantes surpreendidos a ouvir e dançar músicas de K-pop. Em alguns casos, os adolescentes pertenciam a organizações juvenis ligadas ao próprio Estado, o que não impediu a aplicação de sanções severas.

Crianças forçadas a assistir a execuções

O relatório da Amnistia Internacional indica ainda que crianças e jovens são frequentemente obrigados a presenciar execuções públicas como parte da chamada “educação ideológica”. Segundo os testemunhos recolhidos, escolas inteiras eram mobilizadas para assistir a esses atos, reunindo multidões com o objetivo de incutir medo e obediência.

Uma das entrevistadas, que deixou a Coreia do Norte em 2019, relatou ter sido levada pela escola, ainda adolescente, para assistir a uma execução por fuzilamento. Segundo ela, as autoridades deixavam claro que o destino das vítimas poderia ser o mesmo de qualquer pessoa que consumisse conteúdos proibidos.

Repressão e corrupção no sistema

Há décadas, o regime norte-coreano utiliza uma unidade especial conhecida como Grupo 109 para combater o acesso a conteúdos estrangeiros. Este grupo tem poderes para realizar buscas domiciliárias e revistas sem mandado judicial. Contudo, o relatório aponta para práticas generalizadas de corrupção, com agentes a exigirem subornos em troca de redução de penas ou libertação.

Paradoxalmente, vários desertores afirmam que o consumo de conteúdos estrangeiros é comum até entre membros do próprio sistema. Funcionários do Estado, quadros do Partido e agentes de segurança assistiriam a esses conteúdos de forma discreta, apesar de liderarem as operações de repressão.

A Amnistia Internacional informou ter comunicado as conclusões às autoridades norte-coreanas, solicitando esclarecimentos. Até ao momento, não houve qualquer resposta oficial por parte do governo de Pyongyang.

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