Viajar para o espaço deixou de ser um privilégio exclusivo de astronautas. Nos últimos anos, o turismo espacial ganhou força com a entrada de empresas privadas, permitindo que figuras públicas e milionários vivenciem experiências fora da Terra. Agora, uma startup norte-americana quer ir ainda mais longe e promete transformar a Lua num destino turístico de luxo.
A iniciativa é da Galactic Resource Utilization Space, Inc. (GRU Space), empresa fundada em 2025, em São Francisco, pelo jovem empreendedor Skyler Chan. O objetivo é ambicioso: construir o primeiro hotel de luxo na superfície lunar até 2032, com testes iniciais previstos para 2029.
Numa fase inicial, será enviada para a Lua uma estrutura insuflável desenvolvida na Terra, que se expandirá após a aterragem. Esta unidade terá capacidade para acolher até quatro hóspedes por estadia, com um custo diário estimado em cerca de 360 mil euros por pessoa. A permanência máxima deverá ser de cinco noites.
Segundo a empresa, o alojamento contará com sistemas avançados de suporte à vida, incluindo produção de oxigénio, controlo térmico, reciclagem de água e eliminação de dióxido de carbono. Estão igualmente previstos protocolos de segurança para situações extremas, como tempestades solares ou falhas de pressurização. O transporte até à Lua deverá ser assegurado por empresas privadas já certificadas, entre elas a SpaceX e a Blue Origin.
Paralelamente, a GRU Space trabalha no desenvolvimento de uma segunda versão do hotel, mais ampla, com capacidade para até 10 visitantes. Esta futura unidade deverá recorrer a materiais recolhidos diretamente na superfície lunar, através de uma estratégia conhecida como utilização de recursos in situ, que visa reduzir custos e aumentar a resistência das estruturas.
Com diárias estimadas em cerca de 70 mil euros, esta segunda unidade será parcialmente instalada em depressões naturais do solo lunar, oferecendo maior proteção contra radiação e variações extremas de temperatura.
Antes do arranque comercial, estão previstos vários ensaios técnicos. Em 2029, será colocada uma estrutura experimental em escala reduzida, construída com os mesmos materiais do modelo final. Já em 2031, deverá ser testada uma versão mais robusta, essencial para validar as operações comerciais.
A localização do hotel será escolhida de forma estratégica, garantindo vistas privilegiadas da superfície lunar e do planeta Terra. Os hóspedes poderão participar em atividades no exterior, sempre sob supervisão rigorosa. A empresa estima que cada unidade tenha uma vida útil mínima de 10 anos.
Entretanto, a startup já lançou um programa de acesso antecipado para interessados. A candidatura exige o pagamento de uma taxa de inscrição e de um depósito elevado, que pode atingir um milhão de dólares, embora esta fase não assegure automaticamente uma vaga.
O custo total da experiência — incluindo transporte, estadia e logística — ainda não foi oficialmente divulgado, mas a empresa admite que o valor final poderá ultrapassar 10 milhões de dólares por pessoa.
A longo prazo, a GRU Space ambiciona expandir as suas operações, com planos para a criação de uma base lunar permanente e, futuramente, o desenvolvimento de projetos semelhantes em Marte, abrindo caminho para o turismo espacial em outros pontos do sistema solar.
