Maior indústria moçambicana encerrou atividade no domingo

A multinacional australiana South32 confirmou que a fundição de alumínio Mozal, considerada a maior unidade industrial de Moçambique, entrou no domingo em regime de manutenção e conservação, suspendendo a produção.

Segundo a empresa, a decisão foi tomada após anos de negociações sem sucesso para garantir um fornecimento de energia estável e a um custo viável. O diretor-executivo da South32, Graham Kerr, explicou que, apesar de vários contactos com o Governo moçambicano e com a empresa sul-africana Eskom, não foi possível assegurar energia suficiente e com preço competitivo para manter a fábrica em funcionamento além de março de 2026.

Com a paralisação da produção, a empresa estima gastar cerca de 60 milhões de dólares (aproximadamente 52,4 milhões de euros) no processo de suspensão das operações. Esse valor inclui custos de rescisão de contratos de trabalhadores e outras despesas relacionadas com a interrupção da atividade. Apenas a manutenção anual das instalações deverá representar cerca de cinco milhões de dólares.

A Mozal, localizada no Parque Industrial de Beluluane, a cerca de 20 quilómetros de Maputo, emprega diretamente mais de mil trabalhadores e gera cerca de quatro mil empregos indiretos. Durante os seus 25 anos de funcionamento, a fundição tornou-se uma das maiores unidades industriais do continente africano e teve um papel significativo na economia nacional.

A paralisação da fábrica já começa a provocar efeitos no Parque Industrial de Beluluane. Segundo a empresa gestora do parque, várias companhias que dependem da Mozal para fornecer bens e serviços estão a considerar suspender ou encerrar as suas atividades.

De acordo com o diretor-geral da Mozparks, Onório Manuel, cerca de 25 empresas prestavam serviços diretamente à fundição. Pelo menos cinco já encerraram as operações, enquanto outras analisam a possibilidade de fazer o mesmo, devido à redução da atividade industrial.

Especialistas alertam que o encerramento poderá ter consequências negativas na economia moçambicana. A Mozal era responsável por uma parcela significativa da indústria transformadora do país, setor que representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto.

Apesar da suspensão das operações, a South32 não descartou a possibilidade de reativar a fundição no futuro. A empresa afirma que a produção poderá ser retomada caso surjam condições mais favoráveis, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de energia a preços competitivos.

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