Moçambique quer travar importações e aposta tudo na produção nacional

O Governo moçambicano está a analisar a possibilidade de aumentar taxas sobre produtos importados, especialmente alimentos e materiais de cerâmica, com o objetivo de incentivar a produção nacional. A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos.

Segundo o governante, a medida pretende estimular a indústria interna e diminuir a dependência do exterior, podendo até substituir parte das importações por produtos feitos no país. As declarações foram feitas após uma visita à fábrica de cerâmica Safira Mozambique, localizada em Maputo.

Grispos explicou que o aumento das tarifas poderá incluir a aplicação de sobretaxas, que podem subir dos atuais 7,5% até ao limite de 20%. Além disso, está a ser considerada a implementação de um sistema de credenciamento para os importadores que operam no país.

A fábrica visitada, pertencente à empresa chinesa Wang-Kang, iniciou a produção em 2024 e representa um investimento de cerca de 140 milhões de dólares, dedicando-se à fabricação de tijoleiras e azulejos.

O secretário de Estado criticou a elevada dependência de produtos importados, apontando exemplos como a importação de itens básicos, incluindo palitos e até água. Segundo ele, estas situações serão analisadas por uma comissão especializada, que irá avaliar a pertinência das importações.

O Governo assegura que qualquer decisão será tomada com cautela, tendo em conta os impactos legais e financeiros, procurando proteger os produtores nacionais e, ao mesmo tempo, impulsionar a indústria local.

Entre as áreas em avaliação estão também produtos como pão, frango e outros bens essenciais que ainda são largamente importados. Paralelamente, será analisado se incentivos fiscais em zonas económicas especiais podem contribuir para a sustentabilidade das indústrias, sobretudo no setor cerâmico.

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