Donald Trump avalia a possibilidade de promover mudanças em cargos estratégicos de sua administração, incluindo o diretor do FBI. As movimentações vêm na sequência da saída de três altos funcionários, entre eles a secretária da Segurança Interna e a procuradora-geral dos EUA.
Em menos de um mês, Trump já afastou três importantes membros do governo, e a imprensa norte-americana indica que outros três estão na mira do presidente.
O processo começou em 5 de março, quando Trump anunciou na rede social Truth Social que Kristi Noem, então secretária da Segurança Interna, seria substituída pelo senador de Oklahoma, Markwayne Mullin. Noem não foi demitida formalmente, passando a ocupar o cargo de “Enviada Especial para o Escudo das Américas”, visitando países sul-americanos para combater cartéis de drogas e a imigração ilegal.
Seguiu-se o afastamento de Pam Bondi, procuradora-geral dos Estados Unidos, em 2 de abril. Trump elogiou o trabalho de Bondi, destacando sua lealdade, mas indicou que ela seria substituída por Todd Blanche, vice-procurador-geral e ex-advogado de Trump no caso dos pagamentos secretos à atriz Stormy Daniels. Assim como Noem, Bondi foi apenas realocada, com um novo cargo no setor privado ainda não detalhado. A imprensa destacou que Trump se mostrava insatisfeito com a forma como Bondi lidou com documentos do caso Epstein e com a suposta investigação insuficiente a adversários políticos.
Horas depois, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, recebeu ordem de saída, sem um novo cargo definido. A decisão foi comunicada pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, que busca alguém alinhado à visão de Trump para o Exército. George ocupava o posto desde agosto de 2023, na gestão de Joe Biden.
Segundo o The Atlantic, Trump agora considera também o afastamento do diretor do FBI, Kash Patel, da secretária do Exército, Daniel Driscoll, e da secretária do Trabalho, Lori Chavez-DeRemer. Fontes próximas da Casa Branca afirmam que discussões sobre essas mudanças ainda estão em andamento e que ainda não há decisão quanto ao momento ou à efetividade dessas possíveis demissões.
O lema não oficial de Trump durante a campanha, “no scalps”, que defendia a manutenção de funcionários em seus cargos, parece ter sido abandonado.
Inicialmente, o presidente mostrava relutância em demitir secretários próximos, temendo críticas de democratas e da mídia. No entanto, o descontentamento crescente do público em relação a suas políticas, evidenciado em pesquisas de opinião, teria motivado o afastamento de Noem e, posteriormente, de Bondi.
Alguns conselheiros alertaram Trump sobre a percepção negativa de demissões sucessivas de mulheres atraentes, enquanto outros cargos masculinos permanecem intocados, sugerindo que decisões políticas e de imagem estão sendo cuidadosamente consideradas.
