A paralisação dos funcionários do Conselho Municipal de Nacala-Porto, motivada pelo atraso no pagamento de salários, marcou a Primeira Sessão Ordinária da Assembleia Municipal da cidade portuária. A bancada da Renamo expressou forte descontentamento com a situação que afeta cerca de 600 trabalhadores, sem pagamento há três meses, e pediu medidas urgentes por parte da administração local.
Durante a sessão, houve troca de acusações entre a Renamo e o executivo municipal. As bancadas da Frelimo e do MDM tentaram apelar à calma e ao diálogo, mas sem sucesso. Segundo relatos, os representantes da Renamo chegaram a entoar canções, inclusive em Emakhuwa, para pressionar o executivo de Faruk Nuro a resolver a crise que compromete a prestação de serviços municipais.
Procurador Distrital tenta mediar o conflito
O Procurador Distrital de Nacala-Porto, João Taimo, assumiu o papel de mediador, convocando os grevistas para uma reunião. Ele apelou à cessação da greve em nome dos interesses coletivos, defendendo que a paralisação prejudica os colegas que continuam trabalhando e os cidadãos que necessitam de serviços municipais.
No entanto, o tom das declarações do magistrado não agradou aos grevistas, que acusaram Taimo de não ouvir suas reivindicações e de defender a injustiça. Os funcionários afirmaram que esperavam soluções concretas para o atraso dos salários, e não apenas orientações para retomar o trabalho.
Os trabalhadores reclamam ainda da suposta falta de interesse do edil Faruk Nuro em dialogar com o grupo, alegando que seus pedidos de reunião foram reiteradamente recusados.
O município de Nacala-Porto está sob gestão da Frelimo desde 2024, cinco anos após ter sido administrado pela Renamo, seu principal partido de oposição. A cidade tem sido palco de instabilidade política, com a Frelimo e a Renamo disputando protagonismo e influência na região.
