Moçambique está classificado como o segundo país do mundo com maior número de novas infecções por HIV, segundo dados do INSIDA 2021. O país continua entre os mais afetados pela epidemia, apresentando uma prevalência de 12,5% entre adultos com mais de 15 anos. Além disso, ocupa o terceiro lugar global em número de pessoas vivendo com HIV (PVHIV).
A prevalência é mais elevada entre as mulheres, que registam 15%, contra 9,5% nos homens da mesma faixa etária. Entre os grupos mais vulneráveis estão adolescentes e mulheres jovens, de 15 a 24 anos, que registam cerca de 23 mil novas infecções por ano — número três vezes superior ao registrado entre rapazes e jovens da mesma idade.
Apesar dos progressos alcançados nos últimos anos, os desafios no controle da epidemia permanecem significativos. A posição de Moçambique no ranking mundial evidencia a necessidade de intensificar esforços coordenados entre os diversos atores, com o objetivo de cumprir as metas do Plano Estratégico Nacional (PEN V).
Especialistas alertam que a estabilização de alguns indicadores não garante controle sustentável da epidemia. O elevado número de pessoas vivendo com HIV exige financiamento contínuo para cuidados e tratamento, e sem uma redução acelerada da incidência, os custos da resposta tenderão a aumentar a médio e longo prazo.
Impacto de eventos climáticos
Em janeiro de 2026, diversas regiões do sul e centro do país sofreram com chuvas intensas, cheias e inundações, agravadas pelo ciclone tropical “Gezane”. As províncias mais afetadas foram Maputo, Gaza, Sofala e Inhambane.
Os eventos climáticos causaram danos em infraestruturas de saúde, dificultando a mobilidade e afetando temporariamente o funcionamento de algumas unidades sanitárias. Ainda assim, mecanismos de resposta rápida permitiram manter os serviços essenciais, incluindo a prevenção do HIV/SIDA e o tratamento antirretroviral (TARV).
Entre as medidas adotadas destacam-se a reabilitação de infraestruturas de saúde, fortalecimento da resposta a emergências, expansão logística para mobilização de brigadas móveis e distribuição de medicamentos em áreas de difícil acesso. Pacientes de unidades temporariamente fechadas foram encaminhados para outras unidades ou atendidos por brigadas móveis e postos instalados em centros de acomodação, garantindo acesso contínuo a medicamentos e acompanhamento clínico.
A monitorização indicou que os níveis de estoque de antirretrovirais permaneceram adequados, tanto nos armazéns provinciais quanto nas unidades sanitárias. Estratégias como redistribuição de medicamentos e reforço de modelos diferenciados de prestação de serviços ajudaram a minimizar o impacto dos eventos climáticos.
Situação epidemiológica e resposta nacional
O Ministério da Saúde confirma que o HIV continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública em Moçambique. Em 2023, cerca de 23 mil novas infecções foram registradas entre jovens de 15 a 24 anos, mantendo as mulheres como o grupo mais vulnerável.
Esses dados constam do Informe sobre HIV/SIDA, aprovado recentemente na Assembleia da República pelas quatro bancadas parlamentares. Durante o debate, os deputados destacaram a importância do documento como instrumento essencial para monitorar a evolução da epidemia e reforçar as políticas públicas de combate ao HIV/SIDA no país.
Fonte: A Carta de Moçambique
