O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o conflito com o Irão está na sua fase final. Em entrevista à rede FOX Business, o líder norte-americano confirmou que existe atualmente um cessar-fogo em vigor e manifestou a expectativa de que as negociações de paz sejam retomadas nos próximos dias. Segundo Trump, os EUA já alcançaram objetivos cruciais, nomeadamente o enfraquecimento das capacidades nucleares e militares de Teerão.
As Posições de Trump e da Casa Branca
“Acho que está perto do fim, sim. Vejo que está muito perto de terminar”, afirmou Trump. Contudo, o presidente fez questão de frisar que a guerra não acabou em definitivo. Deixou um aviso claro de que, se o exército americano recuasse agora, o Irão levaria cerca de 20 anos para reconstruir o país. “E ainda não terminamos. Veremos o que acontece. Acho que eles querem muito fechar um acordo”, concluiu.
Mais cedo, Trump já havia revelado aos jornalistas que recebeu um telefonema da “outra parte” demonstrando interesse em alcançar um entendimento. A Casa Branca declinou comentar oficialmente o assunto.
A Retoma das Negociações no Paquistão
As discussões para uma segunda ronda de diálogo estão em curso. De acordo com a agência Associated Press (AP), que cita fontes diplomáticas e autoridades americanas, a capital do Paquistão, Islamabad, é novamente a forte candidata para acolher o encontro. Embora a data e o local exatos não estejam oficialmente definidos, as equipas de negociação trabalham com a próxima quinta-feira, 16 de abril, como o cenário mais provável.
Este esforço surge após o fracasso da primeira ronda, que ocorreu no último sábado (11). Após cerca de 20 horas de reuniões intensas em Islamabad, as partes saíram sem um acordo, mas o Irão sinalizou a viabilidade de prosseguir com as conversações.
As Condições dos Estados Unidos
O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, abordou o fracasso do fim de semana numa entrevista à FOX News, classificando a ausência de acordo como “uma notícia pior para o Irão que para os Estados Unidos”. Vance confirmou que houve boas conversas, mas colocou o ónus da decisão em Teerão: “Realmente existe, em minha opinião, um grande acordo a ser fechado aqui, mas cabe aos iranianos, creio eu, dar o próximo passo”.
Vance sublinhou que os EUA saíram do Paquistão com uma proposta simples, descrita como a sua “oferta final e melhor”. A condição inegociável de Washington é a suspensão total do programa nuclear militar iraniano: “Precisamos retirar o material enriquecido do Irão. Precisamos de um compromisso definitivo deles de não desenvolver uma arma nuclear”, afirmou, acrescentando que, se o Irão ceder, o acordo será positivo para as duas nações.
Tensão Militar Elevada no Estreito de Ormuz
Apesar dos esforços diplomáticos, o impasse militar continua no Estreito de Ormuz. As Forças da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) anunciaram ter “total domínio” sobre a região. Na tarde de terça-feira (14), foram divulgadas imagens de drones a sobrevoar a área, exibindo navios comerciais à espera de autorização para avançar.
Em comunicado, as IRGC esclareceram que o tráfego de embarcações civis e não-militares está aberto, desde que submetido a um “controlo inteligente” e a regras específicas. No entanto, o alerta foi severo: qualquer navio militar que se aproxime do estreito “sob qualquer pretexto” será considerado uma violação direta do cessar-fogo em vigor. A força iraniana prometeu responder “de forma severa e decisiva” a qualquer tentativa de infração.
Ameaças à Infraestrutura Energética e Resiliência do Irão
Noutro momento das suas intervenções televisivas, na Fox News, Donald Trump elevou o tom, ameaçando que poderia aniquilar o Irão num “um dia”. O presidente norte-americano alertou que instalações de geração de energia em larga escala e centrais elétricas poderiam ser atacadas no curto prazo.
A resposta iraniana veio através do vice-ministro do Petróleo, Mohammad Sadegh Azimifar. Em entrevista à agência Fars, o responsável frisou que as palavras de Trump não intimidam a população: “Se você quer lutar, vamos lutar, e se você vier com lógica, vamos negociar com lógica”.
Azimifar detalhou que refinarias, depósitos, oleodutos e outras instalações de abastecimento sofreram ataques repetidos por todo o país. No entanto, garantiu que as equipas já estão no terreno a limpar destroços e a substituir maquinaria, o que permitirá ao Irão recuperar grande parte da sua produção petrolífera num prazo de dois meses.
Como demonstração de resiliência, o vice-ministro revelou que as operações na Ilha de Lavan — um polo estratégico no Golfo Pérsico que alberga terminais, refinarias e estruturas cruciais de armazenamento para exportação — serão parcialmente retomadas num prazo máximo de dez dias.
