Chimoio, Manica – Um caso que mistura crenças populares, arrependimento e debate social está a captar a atenção dos residentes do Bairro 4, na cidade de Chimoio. Girena Gatia Mambuzi, uma jovem de 28 anos, partilhou o seu drama pessoal que começou em 2024 e que, em 2026, volta a repetir-se com o nascimento do seu segundo filho consecutivo com albinismo.
O Incidente da “Caneca de Água”
Segundo o relato feito à Rádio Comunitária GESOM, a origem desta situação remonta a 2024, quando Girena estava grávida pela primeira vez. Na altura, um rapaz com albinismo dirigiu-se à sua residência para pedir água. A filha de Girena serviu o jovem utilizando um dos copos de uso comum da casa, o que provocou uma reação imediata e discriminatória da mãe.
Girena repreendeu severamente a filha por ter permitido que uma pessoa com falta de pigmentação na pele utilizasse um utensílio partilhado pela família. Na altura, a própria filha confrontou a mãe, defendendo o rapaz: “Mamã, não pode discriminar o albino; ele é uma pessoa igual a nós, a única diferença é a pele”.
A Coincidência que Chocou a Família
Pouco tempo após o episódio, Girena deu à luz um bebé com albinismo. O que parecia ser um evento isolado repetiu-se este ano, em 2026, com o nascimento do seu segundo filho apresentando a mesma condição genética.
Atualmente, a progenitora confessa estar profundamente arrependida pelo comportamento do passado. Girena associa o nascimento dos dois filhos à sua atitude discriminatória perante o rapaz que pediu auxílio em sua casa, descrevendo o seu antigo comportamento como “desassociado” dos valores humanos.
Ciência vs. Crença: O Debate na Comunidade
O caso tornou-se o principal tema de discussão nas redondezas, levantando debates sobre a inclusão e o respeito pelas pessoas com deficiência ou condições raras. Embora a crença local associe o nascimento à “discriminação”, a medicina explica que o albinismo é uma condição genética hereditária.
Para que uma criança nasça com albinismo, ambos os pais devem carregar o gene recessivo, mesmo que eles próprios não apresentem a condição. Este caso serve como um lembrete crucial para a sociedade: a pigmentação da pele não define a humanidade de ninguém e a discriminação, além de eticamente reprovável, não altera os factos biológicos, mas deixa marcas profundas na convivência social.
A rádio GESOM continua a acompanhar o caso, que agora serve de exemplo nas campanhas locais de sensibilização para a não-discriminação.
