O Tribunal Superior de Apelação de Seul proferiu, esta terça-feira, uma sentença decisiva contra a ex-primeira-dama da Coreia do Sul, Kim Keon-hee. A instância judicial decidiu elevar a sua pena para quatro anos de prisão, um agravamento significativo em relação à condenação inicial de 20 meses por envolvimento em esquemas de corrupção.
A Sentença e as Sanções Financeiras
Numa audiência transmitida em directo pela televisão sul-coreana, os magistrados confirmaram a culpabilidade de Kim Keon-hee, de 53 anos. Além da pena de prisão efectiva, foi-lhe imposta uma multa de 50 milhões de won (aproximadamente 29 mil euros).
Kim Keon-hee é casada com o ex-Presidente Yoon Suk-yeol, que liderou o país entre 2022 e 2025.
O Histórico das Acusações
O percurso judicial da ex-primeira-dama intensificou-se em Agosto de 2025, altura em que o Tribunal Distrital Central de Seul emitiu um mandado de detenção baseado em graves acusações:
- Corrupção e Suborno: Envolvimento directo em transacções ilícitas.
- Fraude Bancária e Bolsista: Acusações de manipulação de preços de acções no mercado financeiro.
- Influência Política: Alegações de interferência indevida na selecção de candidatos do Partido do Poder Popular.
O Contexto da Queda do Governo
Este veredicto surge no rescaldo de uma das crises políticas mais profundas da história recente da Coreia do Sul. Em Dezembro de 2024, o então Presidente Yoon Suk-yeol tentou implementar a lei marcial, justificando a medida com a necessidade de purgar elementos “pró-Coreia do Norte” na administração pública. A decisão foi revogada poucas horas depois devido à pressão popular e institucional.
Como consequência directa:
- Destituição: Yoon Suk-yeol foi afastado do poder pela Assembleia Nacional a 14 de Dezembro de 2024.
- Pena Perpétua: Recentemente, o ex-chefe de Estado foi condenado a prisão perpétua, após o Tribunal Distrital Central de Seul o considerar culpado de liderar uma insurreição contra o Estado.
(Fonte: Lusa / 28 de Abril de 2026)
