Gestão Danosa: Presidente da Associação de Futebol de Manica Condenado e Obrigado a Devolver 715 Mil Meticais

O Tribunal Judicial da Cidade de Chimoio aplicou uma pena de um ano de prisão, convertida em multa, a Zacarias Calisto, por desvio de fundos e emissão fraudulenta de cheques. O caso expôs também dívidas pendentes de imóveis e levantou críticas sobre a impunidade no desporto local.

​O actual presidente da Associação Provincial de Futebol de Manica (APFM), Zacarias Calisto, foi condenado nesta terça-feira pela 3.ª Secção Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Chimoio, respondendo no âmbito do processo n.º 138/2026. O juiz da causa, Francisco Marrocos, determinou uma pena de um ano de prisão por gestão danosa, sanção que acabou por ser convertida no pagamento de uma multa.

O Esquema de Desvio de Fundos

​A leitura da sentença ditou que, entre os anos de 2020 e 2022, o dirigente cometeu diversas irregularidades financeiras. Ficou provado que Zacarias Calisto realizou levantamentos de dinheiro pertencente à APFM sem apresentar qualquer justificação legal. O esquema envolvia a emissão de cheques em nome de trabalhadores da própria associação, artimanha utilizada para facilitar a retirada do dinheiro nos bancos, resultando num claro prejuízo para a instituição.

​Como consequência, além da pena convertida numa multa calculada em três centésimos do salário mínimo diário em vigor, o tribunal ordenou que o dirigente devolva 715 mil meticais aos cofres da APFM, valor exacto contabilizado como desfalque. A decisão judicial sustentou-se no artigo 286 do Código Penal moçambicano, que pune gestores com penas de um a cinco anos de prisão por causarem prejuízos a terceiros devido à violação dos seus deveres.

Absolvições e Posição do Ministério Público

​O caso chegou à barra do tribunal após uma denúncia formalizada no Ministério Público por Carlos Amade, que na altura exercia as funções de presidente do Conselho Fiscal da agremiação. Ao longo do julgamento, o tribunal confirmou a existência de conluio entre os envolvidos nos ilícitos.

​Apesar da condenação do presidente, os co-arguidos tiveram destinos diferentes. A antiga auxiliar administrativa da instituição, Anabela Navalha, foi absolvida por falta de provas sólidas que a ligassem aos crimes. Por outro lado, Victorino Durbek, antigo secretário-geral da APFM, teve a sua responsabilidade criminal declarada extinta em virtude de ter falecido no início deste ano.

​A representante do Ministério Público, Aissa Chicalia, não se conformou com a absolvição de Anabela Navalha, alertando que a possibilidade de envolvimento da ex-funcionária poderá ser reavaliada. A procuradora fundamentou a sua discordância nas contradições apresentadas pela ré durante as suas declarações, destacando o facto de Navalha ter alegado desconhecer o paradeiro de vários recibos fundamentais para a investigação do desfalque.

Dívidas da FMF e Alerta Contra o Nepotismo

​Durante as sessões de julgamento, foi igualmente discutida uma transacção imobiliária envolvendo a Federação Moçambicana de Futebol (FMF). O vendedor do referido imóvel, Mohammed Abdul Gafore, declarou em tribunal que a FMF ainda lhe deve um montante de aproximadamente 400 mil meticais, ao qual se somam 35 mil meticais referentes aos custos de instalação de um sistema de ar condicionado.

​No rescaldo da leitura da sentença, o denunciante Carlos Amade falou à imprensa para expressar a sua indignação com o actual panorama desportivo. Amade denunciou o que classifica como um padrão de impunidade e nepotismo no futebol da província.

​Segundo o ex-presidente do Conselho Fiscal, as fraudes e a má gestão já tinham sido sinalizadas e reportadas durante o primeiro mandato de Zacarias Calisto. “Alertámos para várias irregularidades, fraudes e actos de má gestão, mas, em vez de medidas correctivas, os envolvidos acabaram reconduzidos aos seus cargos”, lamentou, criticando a falta de sanções tempestivas que permitiram a continuidade dos ilícitos.

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