Homem Condenado à Forca por Massacre de Quatro Bebés em Creche no Uganda

Um homem de 38 anos foi condenado à pena de morte por enforcamento pelo assassinato brutal de quatro crianças numa creche localizada em Kampala, a capital do Uganda. O crime, que chocou o país, ocorreu no início deste mês.

​O ataque aconteceu no dia 2 de Abril, quando Christopher Okello Onyum invadiu as instalações do Ggaba Early Childhood Development Program (um programa de desenvolvimento infantil). Armado com uma faca de cozinha, o agressor esfaqueou fatalmente quatro bebés com idades compreendidas entre um e dois anos. As vítimas foram identificadas como Eteku Gideon, Keisha Agenorwoth, Sseruyange Ignatius e Odeke Ryan.

Motivação e alegação de insanidade

​Durante o julgamento, o Ministério Público revelou que Onyum — que possui dupla nacionalidade (ugandesa e norte-americana) — terá admitido inicialmente a autoria do crime. Segundo os procuradores, o arguido descreveu o acto como um “sacrifício humano” que, na sua crença, o tornaria rico.

​Contudo, na fase de julgamento, o homem alterou a sua versão e declarou-se inocente, rejeitando qualquer acção intencional. A defesa argumentou que Onyum sofria de perturbações mentais na altura do ataque, o que o impedia de formular a intenção de matar, pedindo ao tribunal a sua absolvição com base na insanidade.

Sentença aplaudida pela comunidade

​A leitura da sentença decorreu num Tribunal Superior improvisado, montado na própria comunidade onde a tragédia teve lugar. A juíza Alice Komuhangi Khauka rejeitou categoricamente a tese da defesa, declarando que o arguido estava “muito lúcido” no dia do massacre.

​”Pelo presente, condeno-o à pena de morte”, sentenciou a magistrada, uma decisão que foi recebida com aplausos e celebração por parte da multidão presente.

​A juíza foi implacável na sua fundamentação, citada pela agência AFP: “Ele escolheu-os no seu estado de vulnerabilidade e procedeu ao seu abate como se fossem animais… não teve medo, não teve vergonha, nem qualquer consideração pela vida humana”. A magistrada sublinhou ainda a total ausência de remorso por parte do condenado, referindo que esperava, no mínimo, um pedido de desculpas às famílias das pequenas vítimas.

Provas irrefutáveis

​Para garantir a condenação, a acusação chamou 18 testemunhas e apresentou um conjunto robusto de provas forenses e digitais. Entre os elementos cruciais destacaram-se as provas de ADN que ligavam Onyum ao cabo da arma do crime (a faca de cozinha), imagens de videovigilância (CCTV) que rastrearam os seus movimentos antes do ataque, e dados telefónicos que confirmaram a sua presença no local. Além disso, dois funcionários da creche testemunharam em tribunal terem presenciado o ataque aos bebés.

​Christopher Okello Onyum tem agora um prazo de 14 dias para recorrer da sentença. Importa referir que, embora a pena capital não tenha sido abolida no Uganda, a sua aplicação prática é extremamente rara. O último registo de uma execução no país data de 2005.

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