ESCÂNDALO LAM: Aviões de 24 milhões vendidos por apenas 6 milhões! Saiba tudo sobre o esquema.

​A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique revelou um rombo financeiro estimado em 18,5 milhões de dólares na alienação de três aviões pertencentes à transportadora de bandeira, as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). O caso, que já levou à detenção de antigos gestores de topo, é descrito como um esquema deliberado de desmantelamento do património estatal.

​Em causa está a venda de dois modelos Embraer 190 e um Boeing 737-500. Embora os ativos estivessem avaliados inicialmente em cerca de 24 milhões de dólares, acabaram por ser vendidos pelo valor de 6,1 milhões de dólares. A justificação oficial dada na altura pela gestão era a necessidade de “uniformizar a frota” para otimizar os custos da empresa.

Irregularidades e Esquema Internacional

​De acordo com a acusação, baseada em investigações detalhadas pelo jornal Canal de Moçambique, o Ministério Público acredita que o antigo diretor-geral, João Carlos Pó Jorge, e outros gestores integraram uma rede internacional para liquidar o património da companhia a preços muito abaixo do valor de mercado.

​As aeronaves foram adquiridas por empresas estrangeiras, destacando-se a Ariana Afghan Airlines e a Think Holdings Limited, sediada em Gibraltar. O processo de venda terá sido “prenhe de irregularidades”, sem a realização de concursos públicos obrigatórios e com falhas críticas na avaliação e planificação dos ativos.

A Defesa dos Gestores

​Por outro lado, os ex-gestores, que se encontram detidos desde fevereiro, defendem que as decisões foram tomadas num contexto de crise extrema provocada pela pandemia de COVID-19. A defesa alega que as aeronaves estavam paradas em Nairobi, no Quénia, gerando custos de manutenção insustentáveis num mercado aeronáutico que estava, à data, completamente paralisado.

O Paradoxo da Gestão Atual

​O escândalo ganha contornos de ironia técnica com os desenvolvimentos mais recentes. Após ter vendido os Embraer em 2022 alegando que a frota deveria ser composta apenas por modelos Boeing 737-700, a LAM investiu recentemente 25 milhões de dólares na aquisição de dois novos Embraer 190.

​No entanto, este novo investimento encontra-se retido nos hangares desde dezembro. O motivo é a ausência de instrutores qualificados para formar os pilotos nacionais, impedindo que as novas aeronaves entrem em operação.

​Atualmente, a PGR mantém a tese de crime com intenção de prejudicar o Estado moçambicano, enquanto o Tribunal Administrativo prossegue com a análise minuciosa das contas de uma das empresas públicas mais estratégicas do país.

Outras Notícias do Autor

Adolescente de 17 anos injeta em si mesma sangue com HIV positivo do namorado “para provar seu amor por ele”

Caça às Bruxas em Alto Molócuè? 30 professores transferidos denunciam perseguição política.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *