A vulnerabilidade do sistema prisional moçambicano voltou a ser exposta numa nova investida do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Batizada de Operação “Manda Neste Número”, a intervenção na Cadeia de Máxima Segurança (B.O.) resultou na detenção de um agente do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) e na apreensão de diversos artigos ilícitos.
A operação reforça a tese de que a entrada de bens proibidos no estabelecimento — que deveria ser o mais seguro do país — conta com a conivência e facilitação de quem tem o dever de vigiar.
O “Menu” do Crime: De Cartões SIM a Xivotchonguas
Durante a ação, as autoridades confiscaram um arsenal que sustenta as práticas criminosas a partir das celas:
- 19 Cartões SIM: Ferramentas essenciais para a coordenação de burlas e comunicações externas.
- Litros de “Xivotchonguas”: Uma bebida alcoólica de fabrico artesanal, cuja presença em grandes quantidades revela falhas graves na fiscalização das alas.
- Cannabis Sativa: Foi também apreendida uma quantidade elevada de estupefacientes (soruma), indicando um mercado de consumo ativo dentro da penitenciária.
Reincidência Inquietante
O dado mais alarmante desta operação surge na comparação com a intervenção anterior. Mesmo após uma rusga recente, o SERNIC voltou a encontrar 30 telemóveis em posse dos reclusos. Esta rápida reposição de aparelhos sugere um fluxo contínuo de contrabando que as medidas de controlo atuais não estão a conseguir estancar.
Escrutínio Público e Falta de Segurança
A detenção do agente do SERNAP coloca a instituição sob uma pressão ainda maior. O cenário descrito pelas autoridades não transmite a segurança esperada de uma unidade de “máxima segurança”, mas sim a imagem de um sistema permeável onde a autoridade é negociada. O debate sobre a eficácia da gestão prisional e a necessidade de reformas urgentes no controlo interno ganha agora um novo fôlego.
