As autoridades ucranianas efetuaram a prisão de mais cinco membros das Testemunhas de Jeová, após estes se terem negado a cumprir o serviço militar por objeção de consciência, no meio do atual conflito que o país atravessa. Segundo dados divulgados pela própria organização religiosa, existem neste momento dezenas de fiéis detidos na Ucrânia por situações idênticas.
Os Casos Recentes na Região de Lviv
O grupo religioso detalhou a situação de cinco homens que enfrentam processos judiciais na região de Lviv:
- Zenovii Zhabiak (27 anos): Condenado pelo Tribunal Distrital de Zhydachiy, iniciou o cumprimento de uma pena de três anos de prisão a 27 de março de 2026, por se recusar a pegar em armas e a participar no esforço de guerra. Embora a Constituição ucraniana garanta o direito ao serviço civil alternativo, a organização afirma que o pedido de Zhabiak foi rejeitado pelas autoridades.
- Kostiantyn Perevozenko (42 anos): Foi sujeito a prisão preventiva no dia 7 de abril de 2026, por determinação do Tribunal Distrital de Lychakiyskiy.
- Oleksii Holoviatynski (49 anos) e Zoltan Demesh (43 anos): Ambos tiveram a prisão decretada a 8 de abril pelo mesmo tribunal (Lychakiyskiy). Segundo os relatos, as autoridades ofereceram a Zoltan a possibilidade de aguardar o processo em liberdade desde que prestasse trabalho numa instalação militar, mas o fiel recusou a proposta.
- Mykhailo Diavoliuk (47 anos): Detido a 20 de abril, foi colocado em prisão provisória por ordem do Tribunal Distrital de Zaliznychnyi.
Coação e Penas Aplicáveis
A organização denuncia ainda que alguns destes indivíduos terão sido levados para bases militares contra a sua vontade, antes de serem oficialmente presos. Caso sejam condenados pelo crime de desobediência a ordens militares, os homens podem vir a cumprir penas que chegam a atingir os dez anos de prisão.
Posição de Neutralidade Histórica
As Testemunhas de Jeová são globalmente reconhecidas por manterem uma postura de estrita neutralidade política e militar, rejeitando o serviço armado e o envolvimento em guerras com base nas suas convicções religiosas. Esta objeção de consciência tem raízes históricas profundas: durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de membros deste grupo foram enviados para campos de concentração por se recusarem a apoiar o esforço militar do regime nazi de Adolf Hitler.
