
A província de Cabo Delgado prepara-se para um reforço significativo na sua segurança energética. A futura central solar de Mecufi, uma infraestrutura com capacidade para gerar 20 megawatts (MW) de eletricidade, deverá entrar em pleno funcionamento até ao mês de dezembro de 2026. A garantia foi avançada pela empresa italiana de engenharia Renco, entidade responsável pela obra.
Parceria Estratégica e Financiamento Internacional
O megaprojeto está a ser desenvolvido através de uma forte parceria que une a Renco, investidores privados nacionais e a Eletricidade de Moçambique (EDM). Em entrevista à Agência de Informação de Moçambique (AIM), o diretor da Renco no país, Pier Evangelista, explicou que a iniciativa representa um passo fundamental para melhorar o acesso à eletricidade no distrito de Mecufi e na região norte em geral.
“O projeto permitirá a injeção de energia limpa na rede elétrica nacional e melhorará a segurança energética da região norte do país”, sublinhou o responsável. A infraestrutura está orçada em 30 milhões de euros (o equivalente a cerca de 34,8 milhões de dólares norte-americanos).
Para viabilizar a obra, adotou-se um modelo de Project Finance, que conta com o envolvimento direto da Renco e o apoio financeiro de um banco multilateral. Este enquadramento demonstra a confiança internacional na transição energética de Moçambique, numa fase em que o país aposta fortemente nas energias renováveis para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Impacto Socioeconómico: 130 Empregos e Formação Especializada
Para além de revolucionar o fornecimento de energia, a central solar de Mecufi está a ter um impacto direto na economia e na sociedade de Cabo Delgado. A fase de construção emprega atualmente cerca de 130 trabalhadores diretos, que estão a receber formação prática e especializada na montagem de painéis e infraestruturas solares.
Pier Evangelista destacou a importância desta capacitação, considerando que o projeto oferece competências técnicas vitais para moldar a matriz energética moçambicana. “Os trabalhadores vão adquirir experiência importante na construção de centrais solares, que esperamos que sejam o futuro do país”, afirmou.
Embora o volume de mão de obra direta sofra uma redução natural após a conclusão da empreitada, o diretor da Renco assegurou que uma percentagem significativa destes trabalhadores será retida e integrada de forma permanente nas áreas de operação e manutenção da central. (Com informações da AIM).
