O Ministério da Educação e Cultura (MEC) proibiu terminantemente a venda e a utilização de livros escolares de distribuição gratuita nas instituições de ensino privado em Moçambique. A medida, oficializada através de um despacho em vigor desde o dia 7 de Maio, prevê a responsabilização criminal das escolas que desobedeçam à directriz.
A decisão governamental surge após as autoridades de educação terem constatado a presença e o uso destes manuais — destinados exclusivamente aos alunos do ensino primário da rede pública — por parte de estudantes matriculados em colégios particulares.
O Prejuízo nas Estatísticas Públicas
Silvestre Dava, porta-voz do MEC, clarificou a lógica por detrás desta proibição, sublinhando que a aquisição destes materiais assenta em rigorosos levantamentos estatísticos.
“Se há algum livro que está a circular fora do circuito normal, é crível que algum aluno dentro das nossas estatísticas não tenha o livro”, explicou o porta-voz.
Dava reforçou que os alunos do ensino privado não estão, por norma, abrangidos pelo programa de gratuitidade. O aparecimento destes manuais nas mãos destes estudantes motivou a emissão urgente do despacho, orientando para a proibição do seu uso nestas instituições.
Deveres dos Gestores e Alternativas para os Pais
Com o novo documento em vigor, recai sobre os gestores e directores das escolas privadas a obrigatoriedade de impedir a entrada, a circulação e a utilização dos livros gratuitos nas suas instalações.
Para as famílias com educandos no sistema privado, a alternativa legal passa pela aquisição dos manuais escolares através de livrarias e editoras devidamente credenciadas para o efeito. A tutela esclarece que a identificação é simples: os livros destinados ao comércio formal e legal não ostentam a etiqueta com a inscrição de “distribuição gratuita e venda proibida”.
Inspecções no Terreno e Combate ao Mercado Paralelo
Para garantir o cumprimento efectivo do despacho, o MEC já mobilizou equipas de fiscalização com ordens expressas para recolher os manuais gratuitos onde quer que sejam encontrados dentro dos colégios.
Após esta fase de recolha, será elaborado um relatório conjunto entre a Inspecção da Educação e a Inspecção de Actividades Económicas. Segundo Silvestre Dava, será este documento que permitirá quantificar com exactidão o volume de livros desviados para as mãos de alunos do ensino privado e para o mercado paralelo.
Embora o comércio ilegal destes materiais de distribuição gratuita não seja um fenómeno recente no país, o Ministério da Educação reiterou o seu compromisso em continuar a trabalhar para levar à justiça e responsabilizar todos os envolvidos nesta prática criminosa.
