Um raro búfalo albino, apelidado de “Donald Trump” devido à sua peculiar franja loira, foi salvo do abate ritual do Eid al-Adha no Bangladesh, graças a uma intervenção governamental de última hora. Paralelamente, no Mali, o cenário das festividades é de crise, com um bloqueio armado a asfixiar a economia e a disparar o preço do gado.
O Resgate do Búfalo “Donald Trump”
O animal, com um peso imponente de quase 700 kg (1.543 lb), já se encontrava vendido para o tradicional sacrifício do festival islâmico quando as autoridades decidiram intervir, confirmou um funcionário do Ministério do Interior nesta quarta-feira.
O Ministro do Interior, Salahuddin Ahmed, emitiu ordens directas para que a vida do búfalo fosse poupada, garantindo o reembolso imediato ao comprador e determinando a transferência do animal para o zoológico nacional, localizado em Dhaka.
A intervenção inusitada foi motivada por preocupações de segurança. O que começou como uma compra rotineira para o Eid transformou-se rapidamente numa verdadeira atracção nacional. Vídeos do animal tornaram-se virais, atraindo multidões de visitantes de várias regiões até à fazenda, curiosos para verem de perto a franja loira e a postura calma do animal.
Ziauddin Mridha, proprietário da fazenda, revelou que o apelido foi escolhido pelo seu irmão mais novo, que rapidamente notou a semelhança do animal com a figura política norte-americana. Mridha sublinhou que o búfalo é invulgarmente dócil e exige cuidados rigorosos, incluindo alimentação frequente e banhos regulares.
Sendo o gado no Bangladesh predominantemente de cor escura, os búfalos albinos são de uma extrema raridade no país. Esta característica destacou o animal durante a época de pico das vendas, embora tenha sido o seu apelido mediático que, muito provavelmente, o salvou do abate.
Escassez e Preços Exorbitantes no Mali
Se no Bangladesh a história ganhou contornos caricatos, no Mali as preparações para o Eid al-Adha decorrem sob forte tensão. Um bloqueio imposto por grupos armados associados à Al-Qaeda provocou uma inflação galopante no preço das ovelhas. Como resultado, o ritual central da festividade — que consiste no sacrifício de um animal e na posterior partilha da carne com as populações mais carenciadas — tornou-se inacessível para milhares de famílias no país.
A escassez de gado e a subida vertiginosa dos preços derivam do cerco à capital, Bamako, anunciado no início deste mês por combatentes do Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), um braço ligado à Al-Qaeda. Os militantes têm perpetrado ataques frequentes, incendiando veículos e comboios de camiões que transportam bens essenciais para a capital.
Por ser um país sem acesso directo ao mar, o Mali depende fortemente da importação de combustível e mercadorias que chegam por via terrestre, oriundos de países vizinhos costeiros, como o Senegal e a Costa do Marfim.
De acordo com analistas internacionais, o bloqueio promovido por estes grupos militantes tem um objectivo claro e estratégico: asfixiar a economia do país e enfraquecer a legitimidade do actual governo militar maliano.
