Presidente da Bolívia cede aos protestos e reduz o próprio salário e o dos ministros em 50%

A Bolívia é palco, há quase um mês, de intensas manifestações populares motivadas pelo encarecimento do custo de vida e pelas rigorosas medidas de austeridade implementadas pelo governo. Pressionado pela escalada dos protestos, o presidente Rodrigo Paz tomou a decisão de cortar o seu próprio vencimento e o dos seus ministros para metade.

Cenário de Tensão e Bloqueios em La Paz

​A capital, La Paz, acorda e adormece diariamente cercada por barricadas. O ambiente nas ruas é marcado pelo fumo do gás lacrimogéneo e pelas vozes de revolta dos cidadãos, que não só pedem soluções económicas imediatas, como exigem a demissão do chefe de Estado.

​Os manifestantes acusam o executivo de governar de forma desigual. Cecilio Gonzalez, dirigente sindical, explicou as motivações de quem está nas ruas:

“O povo está a exigir, desde a base, a partir dos pontos de bloqueio, que o presidente se demita devido à sua incapacidade de governar em benefício de todos os bolivianos.”

​Segundo o sindicalista, Rodrigo Paz governa exclusivamente para uma elite localizada na região de Santa Cruz, sublinhando que a actual mobilização popular é uma luta “pelo bem comum, pelo interesse nacional e pelas nossas gerações futuras”.

Impacto no Abastecimento de Bens Essenciais

​As paralisações têm consequências drásticas, deixando cidades inteiras isoladas. As prateleiras dos mercados estão a ficar vazias, registando-se já uma grave escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos.

​O impacto dos bloqueios também gera frustração nalguns sectores da população. Ramiro Crespo, habitante da capital, apelou a uma intervenção do Estado:

“Nós, cidadãos de La Paz, somos reféns de pequenos grupos que, a seu bel-prazer, nos privam de alimentos. Esperamos que o presidente Paz tome as medidas adequadas.”

A Cedência do Governo e o Impasse

​Numa tentativa de apaziguar a crise e ganhar tempo, o presidente boliviano anunciou a drástica medida de redução salarial no seio do executivo. Rodrigo Paz justificou a decisão como um acto de solidariedade para com a população:

“Gostaria de informar que este Presidente, juntamente com os respetivos ministros, tomou a decisão (…) de reduzir os seus salários em 50%, a fim de contribuir para um esforço claro de que a Bolívia tem um presidente e ministros que se unirão a este esforço.”

​Apesar deste anúncio, a tensão está longe de terminar. Os principais movimentos responsáveis pelos protestos mantêm-se intransigentes e recusam participar em qualquer processo negocial proposto pelo governo, deixando o país paralisado num profundo impasse político e num crescente desgaste social.

Fonte Original: SIC Notícias / Reportagem de Inês Saldanha

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