Mistério do Prado Desaparecido: Agência Indigo Demarca-se e Culpa “Nhonguistas” por Uso Abusivo de Contrato

O desaparecimento de um Toyota Prado de cor dourada, com a chapa de inscrição AJM-030-MPV, ganhou novos e complexos contornos. Após ser publicamente acusada pelo proprietário de envolvimento no sumiço do veículo, a agência de aluguer Indigo quebrou o silêncio, refutando qualquer ligação directa ao caso e apresentando a sua versão dos factos.

O Esquema e os Intermediários

​Em declarações, um representante da Indigo assegurou que o nome e a documentação da empresa foram utilizados “às escondidas”. A responsabilidade, segundo a agência, recai sobre um grupo de intermediários informais – popularmente conhecidos como “nhonguistas” – que terão fechado o acordo fora das instalações da empresa e sem o conhecimento da direcção.

​A empresa identificou os referidos intermediários como Alberto Mabunda, Nildo e uma jovem de nome Laís. O grupo, que operava como parceiro ocasional no sector de rent-a-car, procurava uma viatura para um cliente que pretendia viajar para a África do Sul. Para conquistar a confiança do dono do Prado, os suspeitos terão usado indevidamente o prestígio da agência.

Contrato Desviado e Valores Suspeitos

​A agência revelou um detalhe comprometedor sobre a operação: uma funcionária da própria Indigo terá retirado um contrato oficial das instalações, entregando-o aos intermediários para que o negócio fosse formalizado “na rua”, à revelia da administração.

​O modelo financeiro acordado estipulava que o proprietário do Prado receberia cerca de 5.000 meticais por dia, enquanto o cliente final desembolsaria aproximadamente 9.000 meticais diários. O porta-voz da Indigo levantou suspeitas sobre esta transacção, questionando o motivo de os intermediários terem recorrido a um veículo de terceiros quando a própria agência dispunha de viaturas Prado disponíveis para aluguer.

Mentiras, Rastreamento e Perguntas Sem Resposta

​Para além das irregularidades no contrato, os intermediários terão mentido ao proprietário sobre a rota da viagem. Inicialmente, garantiram que o destino seria Nelspruit, mas, na realidade, o veículo seguiu para Joanesburgo.

​Dias após o início do aluguer, o sistema de rastreamento do Prado começou a apresentar anomalias, acabando por perder totalmente o sinal. Informações posteriores indicam que o dispositivo de localização (GPS) terá sido intencionalmente arrancado do carro.

​O veículo, cujo valor de mercado actual oscila entre 1,4 e 1,8 milhões de meticais, continua em parte incerta. O caso adensa os receios sobre a actuação de uma eventual rede organizada dedicada ao desvio de viaturas na cidade de Maputo. Apesar dos esclarecimentos prestados pela Indigo, persistem questões fundamentais em aberto:

  • ​Quem orquestrou efectivamente o desaparecimento da viatura?
  • ​Quem desactivou e removeu o rastreador?
  • ​E porque foi permitido o desvio e uso de um contrato oficial da empresa num negócio marginal?

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