Diplomacia: Trump anuncia “ótimo” pacto com o Irão que poderá ser assinado em solo europeu

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou publicamente ter alcançado um acordo de paz de grande relevância com o Irão. De acordo com o estadista, o documento final deverá ser oficializado no espaço de poucos dias no continente europeu.

​Declarações na Casa Branca e o papel de Mojtaba Khamenei

​O anúncio foi feito pelo líder norte-americano diretamente a partir da Casa Branca, onde detalhou o ponto de situação do processo diplomático:

​”Acabámos de chegar a um acordo ótimo para pôr fim à guerra com o Irão e, assim que os documentos forem finalizados, o que deverá acontecer nos próximos dias, provavelmente faremos a assinatura, talvez na Europa.”

​A revelação surge poucas horas depois de Trump ter suspendido uma vaga de bombardeamentos aéreos contra a República Islâmica — ataques esses que ele próprio tinha ameaçado desferir anteriormente —, invocando que o acordo tinha sido remetido e validado pelo topo da hierarquia em Teerão. Ao ser questionado pela imprensa se o Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, dera o seu aval ao chamado “memorando de entendimento”, Trump confirmou: “Pelo que percebi, a resposta é sim”.

​Agenda presidencial e a renúncia ao plano da ilha de Kharg

​O planeamento da assinatura conta já com os primeiros preparativos:

  • Representação diplomática: O vice-presidente J.D. Vance marcará presença no ato da assinatura, que poderá ocorrer já no próximo fim de semana.
  • Viagem de Trump: No domingo, antes de partir para a Europa, o Presidente norte-americano participará num evento desportivo na Casa Branca para celebrar o seu 80.º aniversário. A viagem europeia servirá igualmente para integrar a Cimeira do G7, que arranca na segunda-feira.

​Donald Trump frisou que o tratado estipula e assegura que o Irão “nunca terá armas nucleares”, descrevendo esta cláusula como a meta crucial de todo o processo negocial. Em paralelo, o Presidente descartou a execução da operação militar que visava a ocupação da ilha de Kharg, onde opera o maior terminal de escoamento petrolífero iraniano. Trump assegurou aos correspondentes que colocará essa ação invasiva de parte “se o acordo for assinado”.

​Teerão nega entendimento e mantém desconfiança

​Em contracorrente com o otimismo de Washington, os canais de comunicação estatais e as agências de informação do Irão desmentiram categoricamente a aprovação de qualquer compromisso com os norte-americanos. Até ao momento, nenhuma alta individualidade do governo de Teerão emitiu uma reação oficial.

​A agência de notícias Fars, baseando-se numa fonte interna e próxima da delegação de negociadores iranianos, escreveu que “não foi aprovado qualquer texto para um protocolo de acordo inicial com os Estados Unidos”.

​Por sua vez, a agência Tasnim rejeitou as alegações da Casa Branca e aconselhou cautela face ao histórico de Donald Trump, lembrando comunicados semelhantes feitos no passado: “Enquanto o Irão não anunciar a conclusão de um eventual acordo, qualquer declaração de Trump sobre o assunto deve ser considerada à semelhança das suas declarações anteriores”.

​O pano de fundo do conflito

​As negociações de caráter indireto entre as duas potências arrastam-se há várias semanas na tentativa de cessar o estado de guerra. As hostilidades eclodiram a 28 de fevereiro, na sequência de ofensivas militares conduzidas conjuntamente pelos Estados Unidos e por Israel contra o território do Irão. Em retaliação, o regime iraniano respondeu com o lançamento de mísseis e veículos aéreos não tripulados (drones) contra alvos em nações vizinhas.

​Embora o Presidente norte-americano venha a público insistir repetidamente na iminência de um tratado de paz, a realidade recente no terreno de combate foi marcada por um recrudescimento drástico das trocas de fogo entre ambos os blocos, que desrespeitou o cessar-fogo formalizado desde o passado dia 8 de abril.

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