Um grupo composto por aproximadamente 30 jovens, residentes nos distritos de Sussundenga e Chimoio, na província de Manica, queixam-se de ter sido alvo de um esquema de burla orçado em perto de um milhão de meticais. O golpe baseou-se em falsas promessas de inserção no mercado de trabalho por via de uma entidade fantasma designada “Fundação Fala Mulher”, que não possui qualquer registo ou legalidade perante as autoridades de Moçambique.
O modus operandi e os valores extorquidos
De acordo com os depoimentos apresentados pelas vítimas, o processo de captação e recrutamento foi intermediado por indivíduos do seu círculo de conhecimentos pessoais. Estes intermediários instruíram os candidatos a entregar cópias da sua documentação civil e a realizar transferências financeiras como requisito obrigatório para a reserva e garantia dos postos de trabalho.
As taxas cobradas ilegalmente pela rede criminosa oscilavam entre os 20 000 e os 25 000 meticais por cada cidadão inscrito.
Formação na vila e descoberta do logro
Em declarações prestadas à Rádio Comunitária GESOM, os lesados relataram que chegaram a frequentar, no decurso do mês passado, uma ação de capacitação que teve lugar nas instalações da Escola 1 de Junho, situada na vila autárquica de Sussundenga.
Contudo, logo após o encerramento do ciclo de formação, os jovens foram surpreendidos com a notícia de que as atividades do projeto seriam canceladas. A justificação apresentada foi a total ausência de acreditação e reconhecimento oficial da suposta fundação junto das estruturas do Governo Distrital.
SERNIC investiga e promessa de reembolso
Face aos fortes indícios de burla qualificada, as vítimas decidiram encaminhar formalmente o caso e apresentar queixa às autoridades administrativas locais. Atualmente, o dossier do crime está a ser instruído pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) no distrito de Sussundenga, que se encontra a efetuar diligências policiais para mapear e deter outros coautores ou cúmplices que pertençam à rede de fraude.
A estação emissora GESOM conseguiu apurar junto das suas fontes que um dos indivíduos apontados como angariador do falso recrutamento já veio a público reconhecer que arrecadou os capitais pagos pelos jovens. O mesmo suspeito garantiu que está a preparar as condições para efetuar a devolução integral das somas cobradas aos lesados.
As investigações criminais mantêm-se em curso com vista a clarificar todos os contornos da fraude e assacar as devidas responsabilidades civis e criminais aos mentores do esquema.
