Irão diz “não” a Donald Trump e recusa assinar acordo de paz este domingo

Uma delegação de negociadores do Qatar aterrou esta manhã de domingo em Teerão, com o objetivo de fechar os últimos detalhes de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão. Contudo, ao contrário do otimismo demonstrado por Donald Trump, as autoridades iranianas já garantiram que o documento não será assinado hoje, contrariando as expectativas da Casa Branca.

A equipa negocial de Teerão revelou que o memorando de entendimento ainda não está finalizado, acusando a administração norte-americana de tentar precipitar o processo por motivos pessoais. Segundo os negociadores iranianos, a insistência de Washington em formalizar o acordo precisamente neste domingo estaria relacionada com o 80.º aniversário de Donald Trump — uma coincidência que o Irão se recusa a validar, classificando a pressa norte-americana como uma “manobra mediática e cerimonial”.

Trump promete reabertura de Ormuz

Apesar da resistência demonstrada por Teerão, Donald Trump mantém a garantia de que o acordo histórico avançará ainda hoje. Através da rede social Truth Social, o presidente norte-americano assegurou que o novo documento impedirá definitivamente o Irão de desenvolver armas nucleares, criticando o acordo anteriormente assinado por Barack Obama.

Na mesma publicação, Trump prometeu benefícios imediatos com a assinatura do texto, afirmando que o Estreito de Ormuz será reaberto de imediato a toda a navegação comercial.

Ruas de Teerão em protesto contra acordo de cessar-fogo

O clima de tensão política estende-se também às ruas da capital iraniana, onde centenas de pessoas se reuniram para protestar contra as negociações com os Estados Unidos. A manifestação surgiu poucas horas depois de terem sido anunciadas as datas das cerimónias fúnebres do antigo Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei.

A contestação popular dirige-se também aos próprios líderes do país, com os manifestantes a expressarem forte descontentamento em relação ao presidente do Parlamento, ao chefe da diplomacia iraniana e ao principal negociador iraniano em Washington, acusados de cederem às exigências da Casa Branca num momento de fragilidade nacional.

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