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Família em Chimoio exige 60 mil meticais de lobolo atrasado para autorizar funeral da filha

No bairro Samora Machel, na cidade de Chimoio, uma família recusa-se a permitir a realização das cerimónias fúnebres da própria filha enquanto o genro não liquidar uma dívida de lobolo fixada em 60 mil meticais. O compromisso financeiro, que remonta a 2013, gerou um clima de forte tensão entre as partes, culminando na necessidade de intervenção policial para evitar confrontos físicos.

A Origem da Dívida e a Penalização

De acordo com as declarações dos pais da falecida, o acordo para a união do casal foi estabelecido há cerca de 14 anos. Na altura, o valor estipulado para o lobolo era de 20 mil meticais, quantia que o genro nunca chegou a liquidar. Com o falecimento da mulher, os familiares decidiram atualizar a cobrança, adicionando uma “multa” de 40 mil meticais pelo atraso de mais de uma década, totalizando assim os 60 mil meticais agora exigidos.

Sem capacidade financeira para cobrir o montante total, o viúvo apresentou apenas 5 mil meticais. O valor, no entanto, foi prontamente rejeitado pelos sogros por ser considerado insuficiente para saldar a dívida.

Acusações de Falsificação e Confusão na Morgue

Face à intransigência da família da esposa, o marido recorreu ao apoio da sua igreja para tratar da documentação e realizar as exéquias à revelia dos sogros. Esta ação gerou graves acusações: a família da defunta alega que um pastor terá, alegadamente, falsificado os documentos da mulher para conseguir levantar o corpo da casa mortuária sem o consentimento dos pais. Esta denúncia, contudo, ainda não foi confirmada pelas autoridades competentes.

O conflito atingiu o seu pico de tensão quando os familiares da falecida se dirigiram à morgue para impedir a saída do corpo e a realização do funeral. A escalada dos ânimos obrigou a Polícia a intervir no local para restaurar a ordem e evitar o agravamento da situação.

Caixão Rejeitado e Apelo das Estruturas Locais

Entretanto, a família da falecida assegura que já tratou de obter nova documentação para prosseguir com o funeral nos seus próprios termos, invalidando o uso do caixão que o viúvo, com o apoio da congregação religiosa, já havia adquirido.

Perante o impasse e a gravidade do caso, as lideranças comunitárias do bairro Samora Machel emitiram um apelo público. As estruturas locais pedem que as famílias da região cessem a prática de transformar os funerais em mecanismos de cobrança de dívidas de lobolo. As autoridades do bairro sublinharam que, em momentos de luto, deve imperar o respeito e o entendimento, alertando: “Não devemos condicionar as cerimónias fúnebres dos nossos entes por causa do dinheiro de lobolo, porque, ao fazermos isso, estaremos também a perturbar a alma do falecido”.

Fonte: Rádio Comunitária GESOM

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