Governo investiga causas da nova escassez de combustíveis em Moçambique

O Governo está a investigar as causas da nova escassez de combustíveis registada em várias regiões de Moçambique, depois de algumas semanas de relativa normalização do abastecimento, que se seguiu à crise verificada entre os meses de Abril e Maio.

O anúncio foi feito pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, que explicou que o Executivo está a recolher informações para compreender os motivos do reaparecimento da falta de combustíveis no país.

“Ainda está a ser feita uma análise para perceber o que está efectivamente a acontecer e se o país está, pelo menos, a iniciar uma segunda vaga de escassez de combustíveis”, afirmou Inocêncio Impissa no final da reunião do Conselho de Ministros, realizada esta terça-feira (4), em Maputo.

Questionado pelos jornalistas, o governante confirmou que o Executivo acompanha de perto a situação, que voltou a agravar-se desde o último fim de semana, com vários postos de abastecimento encerrados por falta de combustível e longas filas nos postos que continuam a operar.

Nos últimos dias, o regresso das filas tem sido particularmente visível na cidade da Matola, província de Maputo, depois de um período em que o abastecimento havia sido normalizado na sequência da crise causada pelas dificuldades logísticas associadas ao conflito no Médio Oriente.

Entre Abril e Maio, a escassez de gasolina e gasóleo provocou filas com dezenas de viaturas e levou ao reforço da presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) nos postos que ainda dispunham de combustível.

Na altura, a presença policial teve como objectivo garantir a segurança e controlar a afluência de automobilistas, motociclistas e consumidores que recorriam aos postos transportando recipientes para adquirir combustível.

A crise levou igualmente ao encerramento de vários postos de abastecimento em diferentes pontos do país, afectando a actividade empresarial e o sector dos transportes.

No dia 7 de Maio, o preço do gasóleo foi actualizado com um aumento de 45,5%, enquanto a gasolina registou uma subida de 12,1%. O Governo justificou a revisão dos preços com a evolução do mercado internacional e as dificuldades de abastecimento provocadas pelo conflito no Médio Oriente.

Entretanto, a 12 de Junho, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, defendeu que os biocombustíveis podem contribuir para reduzir os impactos da volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, reiterando que estes devem integrar a estratégia nacional de diversificação da matriz energética.

Durante a abertura do Seminário Nacional de Biocombustíveis, realizado em Maputo, o governante reconheceu que Moçambique enfrenta um contexto marcado pela instabilidade dos preços internacionais e pelos efeitos do conflito no Médio Oriente sobre as cadeias globais de abastecimento.

Estêvão Pale acrescentou que o país possui condições naturais, agrícolas e logísticas favoráveis para desenvolver uma cadeia nacional de produção de biocombustíveis, embora tenha reconhecido que, a curto prazo, estes não irão substituir os combustíveis fósseis.

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