A Igreja Católica em Moçambique está de luto com a morte de Dom Júlio Duarte Langa, primeiro bispo moçambicano da Diocese de Xai-Xai e segundo cardeal da história do país. O religioso faleceu na manhã desta segunda-feira (3), aos 98 anos, no Hospital Central de Maputo.
A confirmação foi feita pelo Administrador Apostólico da Diocese de Xai-Xai, Dom Francisco Chimoio, através de um comunicado em que expressa profunda tristeza pela perda e informa que o programa das cerimónias fúnebres será divulgado oportunamente.
Natural de Mangunze, no distrito de Chibuto, província de Gaza, Dom Júlio Duarte Langa nasceu a 27 de outubro de 1927.
A sua formação religiosa decorreu nos seminários de Magude e Namaacha, tendo sido ordenado sacerdote a 9 de junho de 1957. Nos primeiros anos do sacerdócio desempenhou trabalho pastoral em diversas missões da então Arquidiocese de Lourenço Marques e destacou-se pelo contributo na tradução dos documentos do Concílio Vaticano II para línguas moçambicanas, facilitando a aproximação da liturgia às comunidades locais.
Em 31 de maio de 1976, foi nomeado bispo da então Diocese de João Belo, que pouco depois passou a chamar-se Diocese de Xai-Xai. Recebeu a ordenação episcopal a 24 de outubro de 1976, tornando-se o primeiro moçambicano a liderar aquela diocese.
Durante cerca de 28 anos à frente da Diocese de Xai-Xai, conduziu a Igreja num período marcado por grandes desafios, incluindo a guerra civil, deslocações de populações, períodos de seca, cheias e o processo de reconstrução nacional após o conflito armado.
Depois de apresentar a renúncia ao cargo por ter atingido o limite de idade, em 2004, continuou a servir a Igreja Católica como bispo emérito.
O reconhecimento pelo seu percurso pastoral chegou a 14 de fevereiro de 2015, quando o Papa Francisco o criou cardeal, tornando-o o segundo cardeal da história de Moçambique, depois de Dom Alexandre José Maria dos Santos. A nomeação foi vista como um reconhecimento da sua humildade, dedicação à missão pastoral e serviço prestado à Igreja moçambicana.
Com a eleição do Papa Leão XIV, em 2025, Dom Júlio Langa passou a integrar o Colégio Cardinalício sob o novo pontificado. Embora já não tivesse idade para participar num conclave, manteve o título de cardeal e continuou a ser uma das maiores referências da Igreja Católica no país, simbolizando a continuidade entre o legado do Papa Francisco e a nova etapa iniciada por Leão XIV.
Ao longo de quase 70 anos de sacerdócio e aproximadamente três décadas de episcopado, Dom Júlio Duarte Langa destacou-se pela promoção da paz, da reconciliação nacional, da justiça social e pela proximidade com as comunidades mais vulneráveis, deixando um legado marcante na história da Igreja Católica em Moçambique.
A Diocese de Xai-Xai informou que os detalhes das cerimónias fúnebres serão anunciados nas próximas horas. Entretanto, fiéis, líderes religiosos e diversas personalidades já manifestaram pesar pela morte de uma das figuras mais importantes da Igreja Católica moçambicana.
