Trabalhadora de sexo morta a tiro por suposto agente da PRM em Matutuíne após recusar devolver dinheiro

Matutuíne, Maputo

Uma jovem que se dedicava ao trabalho sexual perdeu a vida após ser baleada no Posto Administrativo de Catembe N’Sime, no distrito de Matutuíne, província de Maputo. O principal suspeito do crime é um indivíduo que se identifica como agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), e o homicídio terá sido desencadeado por uma discussão em torno da devolução de dinheiro.

O percurso até à tragédia

Os eventos que antecederam o desfecho fatal tiveram o seu início na Baixa da cidade de Maputo, mais concretamente na conhecida Rua de Bagamoyo. Foi nesse local que dois homens, inseridos num grupo de quatro, abordaram a vítima e uma colega para solicitar serviços sexuais e comprar estupefacientes.

A noite do grupo desenrolou-se por vários pontos da província. Num primeiro momento, seguiram para o bairro da Malhangalene. Mais tarde, tentaram encontrar um local para pernoitar no distrito de Marracuene, mas sem sucesso, o que os levou a deslocarem-se para Matutuíne, já na madrugada de quarta-feira.

O desentendimento pelo telemóvel

O relato da tragédia foi feito à equipa da Miramar pela amiga da vítima, que presenciou o sucedido. Segundo a testemunha, o conflito começou no interior do alojamento, enquanto o grupo consumia drogas e bebidas alcoólicas.

A confusão instalou-se quando um dos suspeitos exigiu que a jovem devolvesse o valor pago pelos serviços. Perante a recusa da trabalhadora, o homem tentou tirar-lhe à força o telemóvel — dispositivo onde o dinheiro estava guardado. A disputa gerou um forte alvoroço no quarto, que culminou no disparo fatal contra a jovem.

Quatro detidos e uma falsa identidade do SERNIC

As autoridades agiram de forma rápida. Uma operação conjunta entre a PRM e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) resultou na detenção imediata de quatro indivíduos no próprio local do crime. O grupo apresenta os seguintes perfis:

  • O atirador: O homem que efectuou os disparos confirmou ser membro da PRM e alegou que o tiro ocorreu de forma acidental — uma justificação que é contestada pelos restantes elementos do grupo.
  • O falso investigador: Um dos detidos estava na posse de um distintivo do SERNIC. As autoridades apuraram tratar-se de um ex-agente que já havia sido expulso da corporação.
  • O financiador: O indivíduo responsável por pagar todas as despesas da saída do grupo.
  • O condutor: O homem que se encontrava ao volante da viatura, alegadamente preparada para a fuga.

Medidas da corporação e o trauma da sobrevivente

A PRM já apreendeu a arma utilizada no homicídio e garantiu que, caso se confirme oficialmente que o autor do disparo é agente da polícia, este será alvo de um rigoroso processo criminal e disciplinar.

Profundamente abalada pelo desfecho trágico e pela morte da amiga, a jovem sobrevivente confessou estar traumatizada. Dominada pelo medo de regressar às ruas, manifestou a vontade irrevogável de abandonar a actividade do trabalho sexual.
(Notícia elaborada com base nas informações veiculadas pela TV Miramar)

Outras Notícias do Autor

Guiné-Bissau: CNT Exige Fim da Exposição Íntima de Jovens nas Redes Sociais

Fotógrafa Apaga Todas as Fotos de Casamento Após Ter Pausa Para Refeição Negada

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *