Pelo menos dois indivíduos apresentados como supostos terroristas foram abatidos durante confrontos com elementos das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique e militares do Ruanda, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado.
A informação foi avançada à Lusa por uma fonte oficial, que indicou que os confrontos ocorreram no domingo, nas matas do posto administrativo de Quiterajo, localizado a cerca de 70 quilómetros da vila de Macomia.
Segundo a mesma fonte, a operação foi realizada conjuntamente pelas forças moçambicanas e ruandesas, com o objectivo de conter a situação de insegurança que se verifica naquela região.
Durante a operação, um membro das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas ficou ferido depois de ser atingido por um tiro numa das pernas.
“Conseguimos afastar o inimigo da zona”, relatou a fonte, acrescentando que as operações de segurança não se limitaram a Quiterajo. De acordo com a mesma informação, outras operações semelhantes continuam em curso, tanto no interior como na zona litoral de Macomia.
População denuncia aproximação de supostos grupos terroristas
A situação tem provocado preocupação entre as comunidades locais. Na semana passada, residentes de Nkóe, em Macomia, relataram momentos de pânico devido à alegada aproximação frequente de membros de supostos grupos terroristas às comunidades, sobretudo nas zonas utilizadas para a produção agrícola.
Fontes locais afirmaram que episódios semelhantes têm-se repetido nos últimos dias nas áreas de produção situadas nas proximidades do rio Messalo, no distrito de Macomia, onde grande parte dos moradores daquela região tem desenvolvido actividades agrícolas.
“Na zona de produção de Messalo e aqui perto da aldeia, têm estado a circular, por isso é que o medo é maior”, disse anteriormente uma fonte da povoação à Lusa.
No domingo, segundo relatos locais, os rebeldes chegaram a saquear um campo de milho localizado nas proximidades da aldeia de Nkóe, situação que aumentou a preocupação entre os moradores.
“Onde eles saquearam milho é mesmo perto da aldeia, por isso alguns tinham fugido para Nova Zambézia”, relatou outra fonte.
Além de Nkóe, moradores das comunidades de Nguida e Nova Zambézia, em Macomia, bem como de Chicomo e Meluco, têm denunciado uma alegada aproximação constante de rebeldes, principalmente nas zonas destinadas à produção agrícola.
Estado Islâmico reivindica ataques em Macomia
Na semana passada, extremistas associados ao Estado Islâmico reivindicaram vários ataques ocorridos no distrito de Macomia, incluindo confrontos com as Forças de Defesa e Segurança.
Através dos seus canais de propaganda, o grupo afirmou ainda ter decapitado um “cristão” durante um ataque realizado contra uma aldeia em Macomia.
Insurgência continua em Cabo Delgado
A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique e rica em gás natural, enfrenta desde Outubro de 2017 uma insurgência armada protagonizada por grupos associados ao Estado Islâmico.
Segundo dados de organizações internacionais citados pela fonte, a violência já provocou mais de 6.600 mortos e cerca de 1,2 milhões de deslocados.
As províncias vizinhas de Niassa e Nampula também têm registado incursões atribuídas a estes grupos desde Abril do ano passado.
