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Gaddafi Ignora o Tempo, Rasga as Cartas da ONU e Faz Discurso de Quase 100 Minutos

Gaddafi faz discurso de 96 minutos na ONU e confronta as grandes potências

Em 23 de Setembro de 2009, Muammar Gaddafi protagonizou um dos discursos mais longos e controversos da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. A intervenção do então líder líbio durou cerca de 1 hora e 36 minutos, conforme o registo oficial da ONU.

Gaddafi aproveitou a sua primeira participação na Assembleia Geral para fazer duras críticas ao funcionamento das Nações Unidas, especialmente ao Conselho de Segurança e ao poder de veto dos cinco membros permanentes.

Críticas ao Conselho de Segurança

Durante a intervenção, Gaddafi questionou a estrutura criada após a Segunda Guerra Mundial e argumentou que muitos países não tiveram participação suficiente na formação da organização.

Ele criticou particularmente o facto de cinco países possuírem poder de veto no Conselho de Segurança, considerando essa estrutura incompatível com o princípio de igualdade entre os Estados previsto na Carta da ONU.

Gaddafi também afirmou que, apesar dos princípios estabelecidos pela Carta, numerosos conflitos e guerras continuaram a ocorrer desde a criação das Nações Unidas.

Gaddafi questionou vários acontecimentos internacionais

Durante o longo discurso, o líder líbio abordou diferentes acontecimentos e questões internacionais. Entre os temas mencionados estiveram o assassinato do presidente norte-americano John F. Kennedy, conflitos internacionais, o funcionamento do Conselho de Segurança e a possibilidade de a gripe H1N1 ter origem num laboratório e ter sido inicialmente desenvolvida como arma militar.

A própria documentação oficial da ONU registra que Gaddafi levantou essa hipótese sobre o vírus H1N1 durante o discurso.

A Carta das Nações Unidas

Um dos momentos mais marcantes da intervenção ocorreu quando Gaddafi exibiu uma cópia da Carta das Nações Unidas enquanto argumentava que existia uma contradição entre os princípios de igualdade apresentados no documento e a estrutura de poder do Conselho de Segurança.

O episódio chegou a provocar uma reacção pública do então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Questionado sobre o comportamento de Gaddafi e sobre a alegada destruição da Carta, Ban afirmou que a Carta constituía a base e um símbolo da legitimidade da organização e classificou como inaceitável qualquer comportamento que a denegrisse.

A polémica em torno da estadia em Nova Iorque

A passagem de Gaddafi pelos Estados Unidos também ficou marcada pela sua preferência por permanecer numa tenda tradicional em vez de utilizar um hotel.

A questão da instalação da tenda acabou por gerar problemas com as autoridades locais e chamou atenção da imprensa internacional.

O episódio tornou-se parte da imagem controversa da visita do líder líbio a Nova Iorque, que combinou uma longa intervenção na Assembleia Geral com críticas contundentes à ordem internacional.

Um discurso que ficou marcado na história da ONU

A intervenção de Gaddafi continua a ser lembrada principalmente pela sua duração, pelo tom das críticas dirigidas às grandes potências e pelas propostas de reforma da estrutura das Nações Unidas.

Embora algumas das afirmações feitas durante o discurso tenham sido controversas, os registos oficiais confirmam que Gaddafi utilizou a tribuna da Assembleia Geral para questionar abertamente o sistema internacional, o poder de veto e a capacidade do Conselho de Segurança de responder aos conflitos mundiais.

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