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Produção em escala é chave para a independência económica

O consultor defende maior articulação entre produção, infra-estruturas e indústria para transformar os recursos nacionais em valor económico

O debate entre o sector empresarial e o secretário de Estado do Comércio, realizado sob o tema “Transformação estrutural rumo à independência económica: medidas sobre o comércio externo e oportunidades de industrialização”, colocou em evidência um dos principais desafios da economia nacional: transformar os recursos disponíveis em capacidade produtiva e valor acrescentado.

Para Edgar Paulo Augusto, representante da Soluções Ambientais Norte, o encontro representa um sinal positivo de abertura ao diálogo entre o Governo e o sector privado, sobretudo pela possibilidade de os empresários apresentarem propostas concretas para melhorar o comércio externo e acelerar o processo de industrialização.

«“A princípio, a impressão é boa, porque já existe esta abertura para um debate mais franco, de auscultar aquilo que são as propostas dos empresários, da classe empresarial ligada ao comércio externo, assim como propostas para melhorar e industrializar o país, aproveitando aqueles que são os recursos nacionais”, afirmou.»

Na perspectiva do Consultor, a independência económica não deve ser analisada apenas sob o prisma do comércio externo, mas como resultado de uma estratégia integrada de produção, processamento e comercialização.

Edgar Paulo Augusto defende que o país precisa de avançar para uma produção em escala comercial, envolvendo de forma coordenada os diferentes intervenientes das cadeias de valor.

“Independência económica é um tema muito vasto. No meu ponto de vista, ela é feita através de acções de produção e de uma produção em escala comercial, onde tem que existir uma organização específica de todos os intervenientes do processo”, explicou.

Agricultura precisa de escala e mercado

O sector agrícola é apontado pelo empresário como uma das áreas onde esta transformação pode ser mais evidente. Para Edgar Paulo Augusto, o apoio ao agricultor, embora importante, não é suficiente para criar uma economia produtiva e competitiva.

“Na área da agricultura, não basta apenas apoiar o agricultor e fomentar a agricultura. Tem que haver empresas para a produção comercial em escala”, defendeu.

A criação de empresas capazes de organizar a produção, garantir o escoamento e estabelecer ligações com a indústria poderá, segundo o empresário, permitir que os recursos nacionais deixem de ser comercializados apenas como matéria-prima e passem a gerar maior valor dentro do país.

Infra-estruturas e cadeia de valor

Outro elemento considerado essencial é a existência de infra-estruturas capazes de sustentar a actividade produtiva. Estradas, armazéns, unidades de processamento e sistemas de embalagem são apontados como componentes fundamentais para ligar o produtor ao mercado.

“Esta produção em escala tem que ter uma cadeia de valor: produzir e escoar. Isso tem que estar ligado às infra-estruturas de escoamento, neste caso as estradas, mas também é necessário ter estruturas de armazenamento e processamento. Depois fazemos a embalagem para o mercado”, explicou.

A visão apresentada pelo Consultor coloca a industrialização e a criação de cadeias de valor nacionais no centro da discussão sobre independência económica. Para o sector privado, o desafio passa por criar condições para que a produção nacional tenha escala, seja processada localmente e encontre mercados capazes de absorver os produtos.

Neste contexto, o diálogo entre Governo e empresários surge como um instrumento para identificar constrangimentos, propor soluções e criar condições para o investimento privado, sobretudo em sectores com potencial para substituir importações, aumentar as exportações e gerar emprego.

Para Edgar Paulo Augusto, é através desta ligação entre produção, infra-estruturas, processamento e mercado que o país poderá transformar os seus recursos em maior capacidade económica e avançar para uma maior autonomia produtiva.

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