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Agente da PRM morre ao escorregar ao tentar subir comboio em movimento

Tragédia expõe fragilidade da linha férrea Cuamba–Lichinga após morte de agente da PRM

Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), afecto à Protecção do Transporte e Comunicações (PTC) e escalado na localidade de Namissange, perdeu a vida na tarde de 30 de Setembro de 2026, na sequência de um acidente envolvendo o comboio que fazia o trajecto Cuamba–Lichinga.

Segundo relatos recolhidos no local, o agente terá descido da composição durante uma paragem no distrito de Mandimba, na localidade de Namissange, com o objectivo de comprar carvão.

Quando o comboio retomou a marcha, o agente tentou voltar a subir para a composição em movimento. Acabou por escorregar e ser atingido pelas rodas do comboio, sofrendo o corte das duas pernas.

A gravidade dos ferimentos provocou uma hemorragia severa e, apesar da assistência prestada, o agente acabou por morrer em Itepela.

A vítima encontrava-se devidamente escalada para garantir a segurança da linha e dos passageiros naquele troço, desempenhando uma função ligada à protecção das pessoas que utilizam uma das rotas ferroviárias do Niassa.

Um acidente que levanta questões sobre a segurança ferroviária

O caso levanta questões que ultrapassam as circunstâncias imediatas do acidente.

A compra de carvão durante uma paragem é apresentada no relato como uma necessidade associada à rotina de pessoas que trabalham longe de casa e dependem da linha ferroviária para as suas deslocações e actividades diárias.

Em várias zonas do Niassa, o carvão representa uma necessidade básica para as famílias, sendo utilizado para preparar refeições e enfrentar as condições do dia-a-dia.

O acidente também chama atenção para a forma como funcionam algumas paragens ao longo da linha Cuamba–Lichinga.

Segundo o relato, a rota é marcada por interrupções, processos de reabilitação e paragens em localidades onde as populações aproveitam a passagem dos comboios mistos, que transportam passageiros e mercadorias, para adquirir ou transportar bens.

Namissange e as paragens informais

Namissange é descrita como um desses pontos de paragem que não corresponde necessariamente a uma estação formal, com plataforma e horários fixos.

É nesses locais que, segundo o relato, se estabelece uma relação entre as necessidades das populações e a dinâmica de circulação do comboio.

O texto compara este tipo de paragem ao que, na linguagem dos transportes públicos de Maputo, é conhecido como “um toque”.

Nesse contexto, a decisão de parar ou retomar a marcha pode depender do fluxo de passageiros, da necessidade de embarcar ou desembarcar pessoas e mercadorias ou de outras circunstâncias observadas pela tripulação.

O perigo de subir com o comboio em movimento

O agente da PTC conhecia os riscos associados à tentativa de subir para um comboio em movimento.

Ainda assim, no momento em que a composição retomou a marcha, encontrava-se do lado de fora, com o carvão que tinha acabado de comprar, e tentou voltar a entrar no comboio.

O resultado foi trágico: caiu e acabou por ser atingido pelas rodas, sofrendo ferimentos que provocaram a amputação traumática das duas pernas e uma hemorragia fatal.

Reabilitação da linha não eliminou todos os riscos

O relato recorda que a linha ferroviária Cuamba–Lichinga foi reabilitada em 2023, depois dos danos provocados pelo ciclone Freddy.

Contudo, segundo a reflexão apresentada, a reabilitação da infraestrutura não terá resolvido todos os desafios relacionados com a segurança das pessoas que utilizam e trabalham na linha.

O texto aponta para a ausência de plataformas em determinadas paragens, sinalização considerada insuficiente e falta de protocolos claros para paragens de curta duração.

Neste cenário, a rotina, o hábito e a confiança dos passageiros e trabalhadores podem acabar por aumentar a exposição aos riscos.

Uma morte que reacende o debate

A morte do agente da PTC reacende o debate sobre as condições de segurança ao longo da linha Cuamba–Lichinga e sobre a necessidade de garantir que as operações ferroviárias decorram em condições que reduzam os riscos para passageiros, trabalhadores e comunidades.

À família da vítima, aos colegas da PTC e aos membros da PRM, fica a dor provocada pela perda.

O caso também deixa uma questão para os responsáveis pela gestão da linha: quantas pessoas ainda terão de sofrer ferimentos graves ou perder a vida para que as condições de segurança nas paragens sejam reforçadas?

A tragédia de Namissange mostra, mais uma vez, que a segurança ferroviária está directamente ligada à protecção da vida das pessoas que dependem diariamente do transporte ferroviário.

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