Gaza | 6 de Agosto de 2026
A renúncia de Margarida Mapandzene Chongo ao cargo de governadora da província de Gaza não deve ser o fim da linha para o escrutínio da sua governação. Esta é a posição firme das bancadas da oposição na Assembleia Provincial, que exigem uma investigação exaustiva aos seis anos do seu mandato, apontando para fortes suspeitas de má gestão, desvio de fundos de ajuda humanitária e uso indevido de 37 milhões de meticais canalizados pela empresa de areias pesadas de Chibuto.
O debate decorreu durante a sessão extraordinária convocada para apreciar a saída da governadora. Para a oposição, a demissão da dirigente abre um precedente para que as responsabilidades sobre as alegadas irregularidades sejam devidamente apuradas pelas autoridades competentes.
MDM Pede Intervenção da Justiça: “O Começo da Limpeza”
Aquerdino Mavie, chefe da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), foi perentório ao afirmar que a saída de Mapandzene não encerra o assunto. “Esta sessão não pode terminar só na renúncia, e esta renúncia não pode ser considerada como ponto final. É sim o começo da limpeza”, declarou.
O representante do MDM instou a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) e o Tribunal Administrativo a entrarem em acção para investigar a fundo o caso. Mavie sublinhou que a lei tem de ser aplicada a todos, exigindo que sejam identificados e responsabilizados todos aqueles que autorizaram, assinaram, desviaram ou beneficiaram de forma ilícita dos recursos públicos.
A transparência no uso dos fundos foi a principal exigência levantada. Mavie reiterou que a população tem o direito inalienável de saber o destino exacto dos donativos que deveriam ter socorrido as vítimas de calamidades naturais, bem como o rasto dos mais de 37 milhões de meticais doados pela mineradora de Chibuto.
Para além das questões financeiras, o MDM apontou a degradação dos serviços públicos na província, dando especial destaque às debilidades no sector da saúde, como um reflexo directo da má gestão do Executivo cessante. O chefe da bancada apelou à formação de um governo que preste contas, mantenha o diálogo aberto com a Assembleia e priorize o bem-estar dos cidadãos.
Renamo Aponta Problemas Estruturais
A bancada da Renamo, através do seu delegado provincial, Félix Tivane, alinhou com as preocupações, acrescentando que o pedido de demissão de Margarida Mapandzene não deve ser visto como um simples acto isolado ou uma mera decisão pessoal.
Tivane argumentou que a saída da governadora ocorre num cenário de profundos problemas estruturais no funcionamento da máquina governativa de Gaza. Para a Renamo, existem contornos administrativos e políticos por detrás desta renúncia que carecem de um esclarecimento público urgente.
As bancadas da oposição concluíram a sessão com um apelo unânime: esperam que o próximo Executivo provincial rompa com as práticas do passado e instaure um modelo de governação pautado pela transparência, pela prestação rigorosa de contas e por uma maior proximidade às reais necessidades da população de Gaza.
(Reportagem baseada no artigo original de Ângelo Tsane)
