Alfândega reforça controlo sobre químicos que podem ser usados no fabrico de drogas
As autoridades alfandegárias moçambicanas reforçaram recentemente o controlo sobre determinados produtos químicos considerados de risco, através da activação de perfis específicos destinados a identificar substâncias que podem ser utilizadas na produção de opióides e drogas sintéticas.
A medida pretende impedir que esses produtos sejam desviados para laboratórios clandestinos de produção de estupefacientes.
Nos últimos tempos, Moçambique tem registado a entrada de quantidades significativas de produtos químicos, na sua maioria importados legalmente para actividades como o fabrico de fertilizantes, reagentes laboratoriais, produtos de limpeza industrial, explosivos e dinamite.
Entretanto, algumas dessas substâncias podem ser desviadas da sua utilização original e empregues na produção clandestina de drogas, levando as autoridades a reforçar os mecanismos de fiscalização.
Segundo Sérgio Chonguene, das Alfândegas de Moçambique, durante o ano de 2025 entraram no país cerca de 350 toneladas de produtos químicos classificados como precursores de drogas.
As substâncias foram introduzidas no território nacional através de diferentes pontos fronteiriços, com destaque para Ressano Garcia e o Porto de Maputo.
Chonguene prestou estas informações durante uma sessão de balanço sobre a situação do consumo e tráfico de drogas no país, organizada pelo Gabinete Central de Combate à Droga.
Entre os produtos que merecem especial atenção das autoridades estão o cloreto de hidrogénio (ácido clorídrico), ácido nítrico, ácido sulfonítrico, ácido acético, ácido cítrico, ureia em solução aquosa e nitrato de amónio.
A activação dos perfis de risco permite às autoridades alfandegárias identificar e acompanhar com maior atenção a circulação dessas substâncias, sobretudo para reduzir a possibilidade de desvio para actividades ilícitas.
A preocupação surge num contexto em que determinados produtos químicos, apesar de terem utilizações legítimas em sectores industriais e agrícolas, também podem ser utilizados como precursores na produção clandestina de estupefacientes.
Fonte: Jornal Notícias.
